quinta-feira, março 24, 2011

Besta em Terra, Anjo no Céu

Isto ainda mal começou e já parece aquela história de sempre, idêntica aos funerais: a pessoa defunta pode ter sido a maior besta enquanto viva, mas depois de morta torna-se numa santa "que Deus a leve!".

Por cá, em terras lusas, o primeiro-ministro demissionário só o é há menos de 24 horas e já se lê nos jornais que ele foi um porreiro, que só quis lutar pelo país, e que as medidas foram austeras mas tinha mesmo de ser (apesar de serem austeras apenas e unicamente para o povo, porque para eles tem sido o bem-bom).

Tenho pena que o povo português tenha memória curta e que no momento de voto, não se lembre dos escândalos, na mãe do primeiro-ministro que, depois de uma vida a trabalhar como senhora de limpezas (que não tem desprestígio nenhum, atenção), mas que agora tenha uma reforma de 3000€, no senhor deputado que praticamente exigiu que a cantina da assembleia da república estivesse aberta à noite porque "60€ por dia não chega para os gastos", fora o ordenado, apesar de haver muita gente a viver com 5€ ou menos por dia, na deputada que andou a viajar entre portugal-paris em vôos de primeira classe mesmo depois dos impostos subirem, que não se lembre que quando foi aprovado o último PEC a promessa foi de que não seriam necessárias mais medidas para, passados 5 meses, irem falar com Bruxelas para mais medidas, e sem o conhecimento de ninguém, que não se lembre de todas as manifestações feitas contra este governo, nos institutos públicos criados em 6 anos que não servem para rigorosamente nada e que só dão prejuízo. Tenho pena que muita gente não se vá lembrar que o governo quis aumentar não só os impostos em produtos não essenciais mas como também quis aumentar os impostos em produtos essenciais - que não se lembre que foi a oposição que conseguiu que isto não fosse avante. Tenho pena que muita pouca gente se vá lembrar que este primeiro-ministro nunca conseguiu manter uma postura digna, tendo como característica principal em todos os seus discursos a defesa da sua pessoa, o sarcasmo, a arrogância e a vitimização.

No final, tenho pena que a santa ignorância aliada à falta de memória, nos possa conduzir a um buraco sem fundo. "Não gosto do Socras mas os outros também não mandam uma para a caixa", e quando pergunto o porquê, ninguém me consegue realmente responder quais os ideiais e as propostas defendidas pelos partidos de oposição.

Espero estar profundamente enganada e que afinal ninguém se esqueça disto tudo.

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