quarta-feira, março 30, 2011

O pseudo-conceptual artístico fbauliano

Quem lá andou sabe do que estou a falar: de uma espécie facilmente encontrada na Faculdade de Belas-Artes, da Universidade de Lisboa.
É uma espécie diferente de todas as outras, sendo a sua principal característica a chamada "mania de superioridade cultural, social e artística".

O pseudo-conceptual artístico fbauliano destaca-se das restantes espécies por andar vestido com roupa rota da pepe-jeans ou da sisley e sapatinho da camper, com manchas de tinta, um pincel comprido a sair da mala, e por norma despenteado e/ou com rastas. Existem algumas variações em relação aos acessórios: uns usam uma máquina fotográfica reflex analógica, outros usam uma máquina fotográfica lomo, outros usam as duas. Há aqueles que andam com um livro, de preferência, ou bem grosso - o calhamaço - ou com um livro muito fininho, por norma de filosofia ou poesia.

O pseudo-conceptual, por norma, fala de assuntos elaborados como a evolução artística influenciada pelo poder cósmico universal (também conhecido como "ontem à noite fumei umas ganzas"), cita Nietzsche e Kant. O pseudo-conceptual prega aos sete ventos que é contra o imperialismo capitalista norte-americano apesar da sua conta bancária recheada e das suas calças muito americanas Levis.

O pseudo-conceptual artístico fbauliano vê poesia na roda de uma bicicleta, ou o mar revolto no encosto de uma cadeira e chora de emoção, se for preciso, ao rabiscar qualquer coisa abstracta. Para qualque mortal comum, o Van Gogh ter cortado a orelha foi por o homem ser maluquinho. Para o pseudo-conceptual fbauliano, o Van Gogh cortou a sua própria orelha como chamada de atenção do seu psique perturbado devido aos traumas infantis e de adolescente.

Alguém que possua todas estas características mas que nunca tenha tido a bela da discussão às 3 da manhã "o que é o design? é arte, ou não?", não pode ser considerado pseudo-conceptual artístico fbauliano.

Contudo, esta espécie pode abranger qualquer tipo de pessoa: desde o aluno ao professor. A grande diferença entre estes dois é que o aluno ainda não desenvolveu em pleno as características de "como humilhar e deitar abaixo a pessoa que está ao lado mesmo que seja o seu melhor amigo".

Para finalizar, o pseudo-conceptual artístico fbauliano consegue tirar o seu curso - de design de comunicação, de design de equipamento, pintura ou escultura - sem nunca pegar numa única ferramenta específica. Por exemplo: um pseudo-conceptual artístico estudante de design de comunicação consegue safar-se em todas as suas avaliações sem saber sequer o que é o Photoshop, ao abrir a goela e começar a disparatar qualquer um discurso sem qualquer tipo de coerência mas profundamente conceptual. Para que isto aconteça só é necessário que o seu professor seja da mesma espécie, o que é o mais provável de acontecer.

1 comentário:

  1. Olha não gosto da espécie. Acho que é vaidade a mais, mania de tentar ser diferente e de chamar a atenção.

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