terça-feira, maio 17, 2011

Das novas oportunidades

É a grande polémica do dia. E não é para menos: um menino decidiu entrar na faculdade e toca lá de fazer um examezeco de inglês, toma lá nota 20, entra para onde quiseres e não me aborreças mais. Sem sequer ser necessário efectuar o ensino secundário, tornou-se no "melhor" aluno em Portugal.

Que haja alguma forma de ajudar os jovens a fazer o secundário à noite, que tenham um tipo de matéria mais dedicada à saída profissional que anseiam, que haja cursos técnico-profissionais que possibilitem, futuramente, o ingresso nas faculdades, eu concordo. Desde que esse mesmo ingresso seja feito da mesma maneira que todos aqueles que querem estudar e querem aprender no ensino secundário "regular". Desde que façam os mesmos exames que qualquer outro aluno. E desde que, claro está, tenham notas válidas e não para encher o olho a quem vê as estatísticas.

É injusto para os estudantes que querem realmente aprender, andarem tanto tempo a queimar pestaninhas para depois vir um indíviduo que assinou o seu nome todos os dias durante três meses seguidos numa folha pautada e ficar, assim, com as mesmas oportunidades daqueles primeiros. Para além de que se tem vindo a verificar que as exigências pedidas nas faculdades - e não só - têm vindo a descer consideravelmente - o que vai afectar, obrigatoriamente, a sua carreira. Para aqueles que nem sequer pensavam que podiam e conseguiam entrar na faculdade, "tá-se bem", o que vier à rede é peixe; mas para aqueles que querem ser alguém na vida, vêm todo o seu percurso profissional manchado pela má qualidade de ensino.

Ao contrário daquilo que o primeiro-ministro demissionário José Sócrates disse, as novas oportunidades não são uma ofensa aos 500 000 portugueses que frequentaram as novas oportunidades. São, sim, uma ofensa, a todos os outros estudantes do ensino regular que realmente estudam e trabalham para conseguirem entrar nas faculdades. É uma ofensa para toda uma geração que vê a sua educação comprometida. É uma ofensa para qualquer contribuinte, que anda a pagar impostos para a pouca-vergonha que são as novas oportunidades.

11 comentários:

  1. Concordo plenamente contigo. Mas também não podemos ligar a uma pessoa que tirou o curso Independentista ao Domingo.

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  2. Sempre houve esse problema, muito antes das Novas Oportunidades. Quem tirava o ensino secundário à noite fazia os 3 anos num (conforme o gosto, porque aquilo ia-se fazendo por módulos e cada um andava à velocidade que queria), era muito mais fácil e depois podiam entrar na faculdade na mesma. É estupido, mas se pegarem por aí, espero que alterem também as regalias da malta das ilhas. Só por terem nascido na Madeira ou nos Açores podem entrar com médias mais baixas nas faculdades do continente, Porquê? Isso para mim não me faz sentido nenhum (principalmente porque os madeirenses passam a vida na cantilena "calimero" de que são pior tratados que os outros portugueses).

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  3. Fuschia: a grande diferença é que através do módulos, sempre se dava alguma matéria. Era condensada, de forma muito mais rápida, mas tinham de saber a matéria. Nas novas oportunidades, pelo caso que eu conheço, teve de fazer um portfolio e pouco mais. Sei de vários casos de estudantes que entraram na faculdade pelo o ensino regular e que vêm a matéria dada na universidade muito facilitada devido aos casos das novas oportunidades que não conseguem acompanhar a matéria mais puxada.

    Em relação ao pessoal da madeira e dos açores: sim, acho que deviam ter as mesmas que nós para entrarem na faculdade. Mas acho bem pior os das PALOP que muitos deles nem sequer sabem falar português.

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  4. Concordo. Disseste tudo aquilo que sempre pensei sobre esse assunto. É completamente injusto uns andarem a estudar História, Geografia, Matemática de uma forma exageradamente aprofundada e outros a darem as coisas de forma tão superficial que acabam por não aprender nem um terço do que os alunos de ensino regular. E depois são todos comparados como se houvesse comparação possível...
    *

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  5. Por acaso este acontecimento do rapaz que teve 20 no exame de inglês já é bastante antigo. Mas isto acontece porque nas novas oportunidades para a entrada na universidade só conta a nota de exame para ingresso e a média escolar não conta para nada, e era ai que deveriam alterar, a média tal como todos os outros cursos, nomeadamente os de curso profissional(porque estou no profissional e a minha média conta + a nota que tiver nos exames de ingresso) deveria sempre contar para o ingresso do ensino superior, porque a média mostra muito dos conhecimentos que temos... e se os outros não tem os conhecimentos todos necessários não deveriam poder ingressar assim à toa.

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  6. Nuvem.de.algodão.doce e Daniela Pereira: para além da injustiça da média, e de uns terem mais disciplinas que outros, é o facto das novas oportunidades como programa escolar não valer nada. É o facto de haver pessoas a ocuparem vagas nas faculdades injustamente. tirando o lugar a quem realmente merece. É o facto disto existir para contar apenas e unicamente para as estatisticas. Eu sei porque conheço uma pessoa que tirou o 12º através das NO, e aquilo é um autêntico embuste, eles não aprendem nada, não fazem nada, copiam tudo da NET. E é assim. Para eu entrar na faculdade, tive de estudar e muito. A diferença é que eu tirei um curso sem nunca ter chumbado, fui com as bases necessárias. Os das NO... não sei não...

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  7. Olá... cheguei ao teu blog por outro e o assunto das Novas Oportunidades interessou-me pois eu começei agora a completar o 12.º ano por este metedo.

    Sabes que em relação ás novas oportunidades existe várias opções, pode-se estudar há noite pr modulos, podes fazer o tal dossier da vida ( que tb não concordo) e podes, como eu, frequentar diversos cursos até perfazer as horas em falta (50 horas para cada disciplina).

    Vou falar no meu caso, tenho que fazer 200 horas de formação... estou a frequentar cursos interessantes em pós-laboral ( porque trabalho ) e tento cursos dentro da minha área, administrativo. Claro que a materia é mais simples mas aprende-se é acho bem util.

    Acho que é uma oportunidade para todos aqueles que no seu tempo não conseguiram, por diversos motivos, concluir o secundário.

    Em relação à entrada na faculdade também não concordo pois temos de dar mais valor a todos aqueles que estudam durante vários anos para serem alguem.

    É uma simples (e longa) opinião de alguem que frequenta as Novas Oportunidades por unidades capitalizáveis.

    CéliaJ

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  8. Não podia concordar mais. Isso revolta-me, andam pessoas como eu e como muita gente a matar-se a estudar e perder borgas e noites relaxadas para nos amarraram-mos a livros para conseguir entrar numa faculdade e voltar a matar-mo-nos a estudar outra vez, para indivíduos que não fazem nada e não sabem nada serem considerados grandes alunos. INJUSTIÇA

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  9. Eu recebi um comentário a este post que, não sei porquê não aparece aqui. Eu não sei se foi a pessoa que entretanto se arrependeu e decidiu eliminar (é possível isso?), mas como eu recebo os comentários por e-mail, li-o. Não vou transcrever o que disse porque, como já disse, não sei se foi a pessoa que o quis eliminar.

    Mas quero responder, de qualquer das formas.

    Anónimo: eu sei que existem várias opções e que se podem frequentar cursos pós-laboral. E também sei que são várias horas de formação. Mas como dizes, a matéria é mais fácil. É nisso que eu vou contra as novas oportunidades. Uma coisa é uma pessoa tirar um curso para aprender a escrever melhor, a ler melhor, a fazer contas, etc. Outra coisa é essas mesmas pessoas terem exactamente a mesma oportunidade que outras, que querem estudar pela via regular para entrarem na faculdade.

    Posto de outra forma: eu quero o doutoramento, mas para isso, primeiro tenho de fazer o mestrado. Quem quer entrar na faculdade deve fazer primeiro o ensino secundário, através do ensino regular ou do ensino tecnologico/profissional. Não deve passar directamente do 9º ano para deixa-me-lá-tirar-200-horas-de-formação-e-aiiii-espera-estou-na-faculdade!

    O programa Novas oportunidades, para mim, e com todo o devido respeito às pessoas que lá andam e andaram, um forma de fast-food educativo, criado por um individuo que lá deve pensar que, se ele mesmo pode tirar um curso na independente à conta de um exame de inglês feito a um domingo, qualquer possa também pode.

    Acho muito bem que, como diz, haja uma oportunidade àqueles que não conseguiram terminar o secundário no seu tempo, por os mais diversos motivos. Mas não assim, não pela via fácil. É por isso que este país está como está, porque o facilitismo é imperativo, deixando a qualidade e o esforço de parte. E aqueles que se querem esforçar ainda vêm o seu percurso comprometido por os níveis de exigência serem baixos, de forma a que os antigos alunos das novas oportunidades consigam acompanhar a matéria.

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  10. olá... eu sou a anonima que o comentário desapareceu ( não o eliminei). Até pensei que tinha sido a Karina.!!:)

    Volto a frisar que eu apesar de frequentar as Novas oportunidades também não concordo que quem as frequente possa seguir para a universidade. Concordo sim, em conseguir acabar o 12.º ano. agora universidade não!
    Também não concordo com a opção de elaborar o dossier da vida e assim ficar com o 12.º ano completo.
    Eu estou na opção de horas de formação e apesar de ser mais facil a matéria, é complicado para quem trabalho o dia todo, ter a formação que no meu caso é das 19h30 ás 22h30 e ainda ter o trabalho em casa.
    Ressalvo que não concordo com a possibilidade de ingressar na universidade mas acho excelente conseguir acabar o 12.º ano.
    É simplesmente a minha opinião!

    P.S. se quiseres podes colocar o meu 1.º comentário:)

    Beijokas
    Céliaj

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  11. Cara Célia, aqui vai o comentário que não chegou a aparecer:

    Olá... cheguei ao teu blog por outro e o assunto das Novas Oportunidades interessou-me pois eu começei agora a completar o 12.º ano por este metedo.

    Sabes que em relação ás novas oportunidades existe várias opções, pode-se estudar há noite pr modulos, podes fazer o tal dossier da vida ( que tb não concordo) e podes, como eu, frequentar diversos cursos até perfazer as horas em falta (50 horas para cada disciplina).

    Vou falar no meu caso, tenho que fazer 200 horas de formação... estou a frequentar cursos interessantes em pós-laboral ( porque trabalho ) e tento cursos dentro da minha área, administrativo. Claro que a materia é mais simples mas aprende-se é acho bem util.

    Acho que é uma oportunidade para todos aqueles que no seu tempo não conseguiram, por diversos motivos, concluir o secundário.

    Em relação à entrada na faculdade também não concordo pois temos de dar mais valor a todos aqueles que estudam durante vários anos para serem alguem.

    É uma simples (e longa) opinião de alguem que frequenta as Novas Oportunidades por unidades capitalizáveis.

    CéliaJ

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