segunda-feira, maio 09, 2011

Portugal é uma mulher que gosta de levar pancada

Vejo, desde há muito, diversas semelhanças entre a mulher de um homem violento com Portugal e o Sócrates.

Por norma, os casos de violência doméstica começam com um namoro bastante romântico e calmo. Há paixão, há amor. Não conseguem viver um sem o outro. Depois começam, muitas vezes antes do casamento, os primeiros sintomas de algo mau: os primeiros berros, as primeiras mentiras, as primeiras traições, seguidas logo por desculpas e por cenas de defesa pela parte do marido. De seguida vêm os maus tratos: uma chapadinha aqui e a promessa que foi a primeira e última vez; a estalada forte e um ramo de flores como forma de desculpa. Depois os empurrões, os murros, as ameaças com facas, armas de fogo, o terror psicológico, o terror físico.

Com Portugal aconteceu o mesmo: da fuga de um ministro cobarde e interesseiro, veio um outro político sedento de poder. E depois veio o "salvador", aquele que namorou Portugal, que prometeu mundos e fundos. Também começou com palavras meigas de amor e carinho. Deu tudo, o que tinha o que não tinha, a uma percentagem da população que lá achou que não precisava de trabalhar para ter uma casa, carro e dinheiro.

Depois, vieram as mentiras. E, consequentemente, chegaram as desculpas e o ataque auto defensor. Como uma mulher vê tudo a acontecer à sua frente e, mesmo assim, não reage, o mesmo tem vindo a acontecer com Portugal: não reagiu a tempo a todas as mentiras e a toda corrupção que se vieram a descobrir. Ficou parado, à espera. Depois veio a auge da crise: mais mentiras, mais manipulação. Veio a violência: o desemprego, a fome, a precariedade. Os jovens saem da faculdade e não encontram emprego. A justiça tornou-se injusta. A educação tornou-se em brincadeira anedótica. Os mais velhos começaram a ver as suas reformas ameaçadas. Do outro lado, do lado do governo, vieram mais desculpas, e depois as medidas de austeridade. Desse mesmo lado, continuaram a viver bem, com os seus brutos salários, com os seus carros renovados de ano a ano, sempre a enganar as suas esposas (os portugueses).

Como num caso de violência doméstica em que os vizinhos que se apercebem o que se passa do outro lado da parede, fazem queixa à polícia, aqui acontece o mesmo. As denúncias do mau marido Português começaram a alastrar a comunicação social lá fora, mas nem assim, as vítimas abrem os olhos: ainda esta semana, o Financial Times veio a desmarcar o discurso vergonhoso de Sócrates que insiste em não desistir e divorciar-se deste país.

Portugal só tem vindo a levar tareia, mas deixa-se estar, ainda acreditando e desculpando o pior marido que pode ter.

As próximas eleições será o momento decisivo, será o momento em que pode dizer "Chega, estamos fartos de levar tareia! Estamos fartos desta violência, destes abusos consecutivos!". Caso contrário, deste povo só tenho a dizer: "quanto mais me bates, mais gosto de ti!".

4 comentários:

  1. Esperemos que não sejam masoquistas.

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  2. Comigo era um par de patins mas logo ao inicio.

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  3. ou então, como alguém disse ontem nos prós e contras: "Deviamos demitir os politicos deste país!"

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  4. Isso parece-me bem. Seguir o exemplo da islândia, se bem que desconfio que em portugal não funcionaria.

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Gambuzinem