sexta-feira, junho 03, 2011

Tenho uma paixão por animais

e isso ninguém me tira. Posso ser insensível em muitas coisas, como ir ao cinema ver um filme altamente deprimente, de fazer chorar as pedras da calçada, e eu mantenho-me firme e hirta, sem deitar uma única lágrima enquanto que o resto da sala se inunda de fungadelas vindas de todo o lado. Não quero dizer com isto que não me emocione, porque é óbvio que me emociono, simplesmente não sou sensível a tudo o que seja triste, deprimento, doloroso. Menos em relação aos animais.

Dou por mim, certas vezes, a ficar chateada comigo própria, porque sou capaz de chorar baba e ranho ao ler a notícia do gato que foi atropelado e que não resistiu aos severos ferimentos, e aguentar-me, com pena mas sem uma única lágrima, ao saber de outras notícias devastadoras relativas à raça humana. Como naquele filme do Will Smith, I am Legend: eu saí do filme e comentei "coitado do cão!", apesar de grande parte da humanidade ter desaparecido e a outra parte, sobrevivente, estar meio-morta.

E até pode ser um exagero da minha parte não comer carne, mas a verdade é que me custa. Não tanto pela parte de matar o animal - é uma questão de sobrevivência - mas mais pela forma como os animais são, muitas vezes, tratados enquanto vivos, sendo negligenciado ao bicho qualquer dignidade e respeito à sua vida.

Isto tudo para dizer que esta semana li um livrinho chamado "Casper - o Gato-Viajante". A história verídica de um gato que gostava de andar de autocarro, na sua terra em Inglaterra, fazendo, praticamente todos os dias, o percurso de ida e volta da carreira 3, tendo já um lugar reservado para si, e que esperava na fila pela sua vez de entrar no veículo - vê-se mesmo que não era português. Entretanto esta história ficou conhecida quando a sua dona, depois de descobrir a vida dupla do seu animal de estimação, escreveu para um jornal local a agradecer à companhia de autocarros e respectivos motoristas por deixarem o gato andarem nos autocarros e por tratarem-no tão bem. Depois disto, houve imensa gente interessada em conhecer melhor o gato, até porque era uma forma de se esquecerem dos tempos de crise que se vivia - e que continua. Entretanto o gato foi atropelado e não sobreviveu aos danos, o que levou meio mundo a enviar cartas e mensagens de consolo à sua dona.
Apesar do livro não ser de uma escrita fantástica, tocou-me, e ainda me vieram as lágrimas aos olhos umas quantas vezes. Porque um animal de estimação é, muitas vezes, o melhor amigo que se pode ter, e pode ter muitas vezes, como teve neste caso, o poder de unir os seres humanos e mostrar que é nas alturas mais complicadas que conseguimos ser melhores pessoas.














Casper

4 comentários:

  1. Oh que giro. Desconhecia essa história. Eu sou dessas que chora baba e ranho, confesso, mas faço-o de igual modo com os animais que são das minhas maiores loucuras. Sou capaz de papar no meio da auto estrada para salvar uma lebre, ou uma toupeira ( e ainda ser mordida, como já aconteceu). hihihi

    beijinhos

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  2. Tsuri: soube esta história por um tio, e fui logo comprar o livro. Há uns anos, foi a mesma história com o Marley e Eu. E não consigo compreender como é que há tanta gente a querer mal aos bichinhos... a sério.

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  3. queres saber uma coisa?

    "Dou por mim, certas vezes, a ficar chateada comigo própria, porque sou capaz de chorar baba e ranho ao ler a notícia do gato que foi atropelado e que não resistiu aos severos ferimentos, e aguentar-me, com pena mas sem uma única lágrima, ao saber de outras notícias devastadoras relativas à raça humana. Como naquele filme do Will Smith, I am Legend: eu saí do filme e comentei "coitado do cão!", apesar de grande parte da humanidade ter desaparecido e a outra parte, sobrevivente, estar meio-morta.
    "

    quando vi este filme... não chorei em nenhuma ocasião... apenas quando o cão morreu... fiquei devastada :x

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Gambuzinem