quinta-feira, setembro 01, 2011

Das cábulas

Durante a faculdade tive algumas disciplinas em que o uso de cábulas era praticamente obrigatório. Não que fossem disciplinas difíceis ou porque não havia tempo para estudar, simplesmente porque as salas - principalmente o anfiteatro - eram um convite para uma festa em que o dress code era o uso de cábulas.

O anfiteatro, então, era o rei dos reis das salas para se fazer cábulas: as mesas, que eram de madeira, eram a cadeira da fila da frente. Ou seja, era só pôr as cábulas em cima do colo e ter algum cuidado para não se ser apanhado - isto nalgumas disciplinas, porque noutras, o prof saía da sala e ía passear até às lojas ali perto. 

O problema - o meu grande problema - é que eu tinha uma enorme dificuldade em usar as cábulas. Eu bem que tentava puxar daquilo, ler qualquer coisita e, apesar de todos os alunos sem excepção estarem a usar cábulas, pensava sempre que o professor estava de olho em mim. Bastava eu mexer um pouco o braço e pensava logo que ele já estava a olhar para mim. Não estava, obviamente. Estaria a dormir de olhos abertos, ou qualquer coisa que o valha, mas aquele sentido de conspiração e perseguição à minha pessoa era incriminador o suficiente. Ficava nervosa, a suar, já nem conseguia agarrar na caneta. A minha sorte era estar sentada, porque ficava sem força nas pernas a pensar que iria ser apanhada com aquilo, e as consequências e os olhares dos meus colegas "Humpf, bronca! Precisa de cábulas!". Não interessa que toda a gente usasse aquilo, o que interessa é que olhariam para mim, e eu não queria ser o centro das atenções. Ou seja, desistia logo da ideia de ir ver os apontamentos.

Pronto, deu-se que fiz o curso todo apenas com uns vislumbres rápidos às belas das cábulas. Sorte a minha ter uma memória praticamente fotográfica. Azar o meu por ter as mesmas notas que aqueles que não tinham qualquer pudor em usar e abusar de ajuda externa.


13 comentários:

  1. Eu sempre fui assim. Tinha sempre a impressão que os professores estavam a ver se eu tinha um deslize ahahaha

    As únicas vezes que cabulava sem medos era quando usava a máquina de calcular :P As fórmulas eram muitas, e a cabeça não dá para tudo ahaha

    Beijinho, querida :)

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  2. Tu és Ana Karina? é que eu nunca calhava no anfiteatro. E usava sempre cábulas. Aliás, eu e um colega, que ficava sempre na mesma sala do que eu, criámos a "sociedade de cábulas". Dividíamos a matéria ao meio e durante a prova dávamos apoio técnico um ao outro. Não me sinto culpada por isso, não me deixavam muitas hipóteses, não houve nenhuma semana de frequências que não tivesse trabalhos práticos para entregar.

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  3. Ana: ahahah eu não tive matemática na faculdade... Só mesmo geometria descritiva :P

    Fuschia: não sou Ana, mas cheguei a calhar no Anfiteatro algumas vezes. A forma visual é que nunca calhei lá (a essa é que tinha dado um jeitaço brutal). Mas pronto, eu não me sentia culpada por estar a usar cábulas, sinceramente queria lá saber de estéticas e história de arte (pronto, ok, eu até gostava disso, mas para o curso acho que não era importante). O problema é que pensava sempre que ia ser apanhada. Que tótó!

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  4. Houve um ano que o prof Estética saiu no inicio da frequência e voltou quase no fim e dizia "Ainda não acabaram? Já fui à Fnac, já fui aos Armazéns, não sei que faça mais!!"

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  5. Fuschia: o Delfim, right?! Ele fez-nos o mesmo. Mas o psicanalista não. E ai de nós, credo credo credo, se ultrapassassemos 1 folha de ponto, quer tivessemos letra grande, pequena ou média...

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  6. Não, não era o Delfim Sardo, era um que chegava meio bêbado (vá, alegre) às aulas depois de almoço (não me lembro o nome...)

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  7. Fuschia: Ahhhhhhhhh, o José Carlos, penso eu... o que gostava muito dos alunos (vá, das alunas) :P

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  8. Eu também tinha sempre a sensação que estavam a olhar para mim ahah. Mas também só usei cábulas uma vez :p.

    Sim! Ver se este mês ainda dá para ir dar uns mergulhos :b

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  9. Soraia: o que me chateava é que toda a gente usava. Mas pensava sempre que se usasse, seria logo apanhada... Bahh! ****

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  10. Eu nunca usei uma cábula!
    Houve uma cadeira em que para ir aos exames "o dress code era usar cábulas" (nem imaginas como adorei esta frase!) e eu decidi, é desta! Passei a noite a fazer cábulas mais uma amiga (eu era daquelas alunas que fazer resumos,com tamanhos de testamento, quer em folhas pequeninas ou grandes era uma perda de tempo porque eu não fixo praticamente nada se tiver a copiar texto, ou seja, não serviu de rigorosamente nada fazer as cábulas), para piorar era daquelas cadeiras, que para a minha pessoa era preferivel ficar a dormir a ir à aula (tenho uma memória auditiva sobrenatural, desde que esteja acordada, o que era impossivel naquela aula), colocando na balança do beneficio/maleficio, concluia que era mais vantajoso ficar a dormir, sempre descansava. Posto isto, se a memória não me falha, foi a única pessoa a ir a recurso... É triste mas é verdade!

    Conclusão, fiz o curso sem nunca ter usado uma única cábula! É triste...

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  11. Catarina: LOOOOOOL que vergonha pa! (como se eu tivesse sido uma grande mestre das cábulas lol) :P

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  12. Olá,

    Eu fui daqueles que sempre usou cábulas para aquelas cadeiras mais "matemáticas". Era perito a desenhar esquemas, a reduzi-los mas nem sempre as podia usar, especialmente quando ficava sentado nas "barbas" dos profs, daí que com o tempo passei a chegar meia hora antes do exame.
    Melhor mesmo era olhar para o vizinho do lado, especialmente se fosse aquele marrão-rato-de-biblioteca. :)

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  13. Martini: lol a melhor que eu vi até hoje foi uma colega que tirou o rótulo da garrafa de água, digitalizou, tirou os textos dos ingredientes e aquela coisa toda, e meteu para lá a matéria toda. Imprimiu, colou à garrafa, e voilá! À vista de toda a gente, sem ninguém desconfiar! Foi brilhante :D

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Gambuzinem