segunda-feira, outubro 17, 2011

Vamos lá falar de política

ou politiquices.

Eu compreendo que muitos cortes tenham de ser feitos. Somos um país pobre e ponto final. Temos tendência a pensar que o dinheiro cai do céu, e que nasce como a erva daninha, em qualquer lado. Mas infelizmente não é assim. Se há uns tempos se gastou aquilo que se tinha e aquilo que não se tinha, agora é preciso poupar o que se tem e o que não se tem.

Claro que é injusto retirarem os subsídios de natal e de férias, há muita gente a "depender" desses subsídios para pagar contas extras e não só. Independentemente disso, é injusto retirarem algo que nos pertence e para o qual trabalhámos. Mas vá, compreendo que tenham de ir buscar dinheiro a algum lado de forma a não nos afogarmos ainda mais.

Sobre aquela meia-hora de trabalho por dia: não é nada que já não esteja habituada e creio que qualquer pessoal minimamente profissional que goste de ver o seu trabalho bem feito, não se vá embora só porque chegou a hora de ir para casa. O facto de ser imposto é que já é outra história. Era como os livros que tinha de ler na escola: se fosse eu a escolhê-los, li-os de bom agrado, mas se fossem de leitura obrigatória, já o fazia contrariada - mesmo que mais tarde viesse a gostar do livro. Dizem a meia-hora imposta é para se produzir mais, mas eu cá acho que vai ser só para criar mais ronha no local de trabalho.

Isto só agora é que começou, meus amigos. Agora é que vamos realmente conhecer a crise. Mas eu até acredito que por vezes, de forma a se poder dar dois passos em frente, seja necessário dar, primeiro, um passo atrás.

Agora, de forma a isto resultar, não nos podem vir pedir só sacríficios. Eu faço-os, que remédio tenho eu. Mas também tenho de ter algum incentivo, alguma motivação. Neste momento, dizerem que isto é para nos tirar da crise não chega, até porque não se sabe se será o suficiente. Sem sequer falar na redução de deputados no parlamento, no corte de, não só nas regalias, mas igualmente do número de administradores públicos, no corte de subsídios de inserções sociais e afins, etc, etc, etc, uma grande motivação para mim seria ver as pessoas culpadas pelo país ter chegado a este ponto punidas com prisão - como fizeram na Islândia. É claro que não iria resolver a crise em si, mas pelo menos era feita alguma justiça.

Já agora, não queria deixar de falar das manifestações que têm havido. Concordo que se façam manifestações, para perceberem que as pessoas não estão a dormir, que as pessoas passam dificuldades, fome, frio. Acho bem que façam manifestações para que vejam bem a quem estão a pedir sacrifícios. Mas acho totalmente vergonhoso que se façam manifestações violentas como vieram a acontecer em várias cidades do mundo durante o fim-de-semana. É perder toda a razão que se possa ter, é descer ao nível das pessoas culpadas pela crise.

11 comentários:

  1. O que realmente me custa a valer é de facto, é ver criminosos saírem impunes mesmo que se saiba que são culpados! É isso e aquela catrefada toda que está no parlamento, era mandarem embora uns quantos porque não fazem lá falta nenhuma!

    P.s. Estás linda sem o aparelho :)*

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  2. Acho que o único problema com as manifestações é que se vai para a rua e não se passa disso. Não há apresentação de propostas, não há a criação de um movimento cívico que se esforce para mudar as coisas. É que ir à manifestação um dia à tarde todos gostam, dar seguimento é que já dá muito trabalho...

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  3. Eu não participo em manifestações porque, por muito que se tenha o direito, não penso que resulte. O que tiverem de fazer, farão. Mas também não acho justo que se cortem nos subsidios (e eu nem sofro esse corte) porque dessa forma estamos a matar a economia interna. Era com esse dinheiro que as pessoas ainda faziam algumas compras. Vai destruir o comercio, a restauraração e, de modo geral, a vida das pessoas.
    E estou perfeitamente alterada ao fazer este comentário e peço desculpa por isso. Mas não consigo controlar. Já marquei posição no meu blog também e acho que dá para perceber que estou de cabeça perdida lol

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  4. Catarina: não faz sentido nenhum um país tão pequeno - e sem dinheiro - como o nosso ter tanta gentinha no parlamento. Enfim... que tristeza...

    P.s: obrigada!! :D

    'Mimi: concordo contigo. Mas eu compreendo que se façam manifestações, as pessoas estão a passar por dificuldades, se bem que se vê muita gente a queixar-se de barriga cheia - como ontem vi muita gente na tv, na manifestação que houve em lisboa, com câmaras fotográficas reflex, cabelos pintados, telemóveis topo de gama - duvido que essa gente passe por grandes dificuldades...

    Ana: eu também não estou de acordo com os cortes - e também não sofro com os mesmos - mas por um lado percebo que os façam. O dinheiro tem de vir de algum lado. O que também acho é podiam muito bem cortar com os gastos estúpidos e desnecessários. Até acho que um político deva ganhar bem - gerir um país não é fácil - mas para isso tem de o merecer. Por isso é que digo que quem nos meteu nesta posição, deveria sofrer com penas de prisão.

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  5. Hum... sobre a existência dos subsidios tenho uma opinião digamos, controversa - e para a desenvolver num comentário...

    Agora o resto, concordo, principalmente com a parte da pena de prisão.
    Na semana em que fica público o buraco na madeira pedirem sacrifícios quando o bandido em questão é reeleito...

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  6. Querida Karina, pois eu acho que não tenho que pagar, pela incúria de meia-dúzia de pessoas que não soubera, gerir devidamente os dinheiros, que se receberam da UE. Só isto!

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  7. Karina, este assunto é muito complexo. Verdade é que eu, tal como tu, trabalho o que é necessário para poder sair do trabalho e ir para casa sem me atormentar que algo ficou por fazer. Para mim trabalhar mais ou menos horas é igual, as 40 horas semanais a mim não me dizem nada, como pessoa consciente e profissional trabalhar mais umas horas não me custa. A ti e a mim essas horas não custa porque estamos habituadas, o problema é a mentalidade de muita gente que para ai anda que não pode dar mais 1 minuto á casa pois o patrão não paga horas extras.
    Não seria melhor trabalhar mais horas, seja 30 minutos ou duas horas, e manter o mesmo ordenado de que ter diminuição do mesmo?! Parece que alguns andam no pais das maravilhas, muita gente reclama mas não pensam seriamente no assunto. Não ouvi nenhum dos que estavam nas manifestações a dizer que se for necessario trabalhar mais para o pais ser competitivo e não haver diminuição dos ordenados o faziam! Alguem se ofereceu? Ao menos ainda os louvo por fazerem maniestações ao sabado.
    A maioria da culpa do que está acontecer neste pais é dos sindicatos, só sabem viver a contrariar . Não se pode trabalhar mais , é contra as leis de trabalho…bla…bla…bla mas esquecem-se que sem o aumento de carga horaria (que é necessária pricipalmente na industria para ser mais competitiva no estrangeiro e assim aumentar vendas) e com a diminuição dos ordenados o poder de compra vai diminuir… e as empresas e os comercios vão viver de quê?! E nós que trabalhamos no retalho, se as pessoas não podem comprar o que vai ser da empresa onde trabalhamos? Vamos todos para o desemprego?
    O melhor é parar por aqui porque com este assunto estava a escrever e a escrever… nunca mais me calava.

    Um beijinho

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  8. André: confesso que nem me choca assim tantoooo quanto isso que tenham reeleito o jardim - ele fez obra, é verdade. Choca-me, sim, a legislação permitir que uma pessoa como ele possa sequer candidatar-se àquele cargo. Isso sim, acho absolutamente vergonhoso...

    Turista: eu também não acho justo, nadinha mesmo. Mas a verdade é que chegámos a este ponto, e algo tem de ser feito. Se estas medidas são justas? Claro que não, afinal paga o justo pelo pecador. Mas algo tem de ser feito...

    Sofia Carvalho: ora nem mais! Melhor não teria dito! Este é um país que está habituado a ter tudo, dar é que está lá quieto. Como disse à Turista: isto não é nada justo, mas algo tem de ser feito. Sinceramente, para mim, nem seria necessario mais meia-hora obrigatória, apenas se mudaria a lei para facilitar o despedimento por justa causa em caso de não-produção. Era ver muita gente a deixar de bater o pé, a fazer greves e começar a trabalhar a sério...

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  9. Estudar nas escolas privadas fica caro, mas é um investimento que vale muito a pena. O teu caso é um exemplo óptimo de como estudar no ensino privado compensa :)

    Adorei o título do teu blogue :b

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  10. Minha cara Karina sem acento :D está atrasada! Olha vê aqui: Chuck Norris n.º 12.

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  11. Concordo contigo a 100%. E também não gosto quando há greve do metro ou de outro transporte publico. Já pessoas que dependem desses transportes para ir trabalhar. Em vez de fazerem greve, deixam as pessoas usar os transportes de borla ou sei lá. Agora as pessoas ficarem sem ir trabalhar ou chegarem várias horas atrasadas não.

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Gambuzinem