quarta-feira, abril 25, 2012

25 de Abril

Ainda não era nascida aquando do 25 de Abril de '74, nem sequer a minha família mais próxima se encontrava em Portugal, por isso não posso falar com conhecimento de causa. No entanto, conheço uma data de pessoas que se queixam, hoje, da falta de liberdade daquela altura. De conhecerem a Coca-Cola por terem estado noutros países. De não poderem estar em grupos de pessoas com mais 3 pessoas porque era logo considerado "ajuntamento". De terem muito cuidado com aquilo que diziam porque nunca sabiam bem se poderia estar um "bufo" a ouvir as conversas. Que houve muita gente presa só porque se constava que eram contra o regime.

Apesar disto tudo, apesar de ser necessária uma revolução para acabar com a ditadura, a verdade é que não creio que as coisas tenham sido bem feitas. A descolonização foi feita à pressa, à parva. Muita gente regressou das colónias com o título de retornado quando nunca tinha estado sequer na metrópole. Muita gente teve de fugir para outros países com a roupinha que tinham vestida no corpo e com meia dúzia de tostões no bolso, deixando tudo para trás - casa, economias de uma vida, lembranças e memórias. Muita gente aqui aproveitou-se e ficou com coisas que não lhes pertencia, tais como terrenos e casas. Veio a ideia - e para ficar - que agora, com a liberdade, podiam fazer tudo o que lhes apetecia, sem se lembrarem muitas vezes que sua liberdade pode estar a contender com a liberdade de outras pessoas.

E o resultado está à vista: temos uma sociedade em que os mais novos não têm respeito por ninguém. Pensam que podem fazer o que lhes dá na gana. Uma sociedade que não respeita os professores. Uma sociedade de facilitismos que pensa que pode sobreviver à conta de subsídios e que já não é preciso trabalhar - que trabalhem os outros e que os outros paguem à Segurança Social para lhe dar dinheirinho ao final do mês. Uma sociedade em que a justiça não funciona, uma sociedade em que os polícias têm menos autoridade que um ladrãozeco, uma sociedade em que os políticos são corruptos e nada lhes acontece. Uma sociedade que não sabe o que é liberdade, apenas libertinagem.

Não estou a dizer que não era necessário uma revolução, antes pelo contrário. Mas acredito piamente que estamos a precisar de mais uma revolução, desta vez para abanar as mentes preguiçosas e parasitas da sociedade. Uma revolução de mentalidades.

3 comentários:

  1. Uma revolução de mentalidades... nem mais :)

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  2. Joana: acho que, acima de tudo, os valores andam todos trocados, e sem isso... chapéu! :) ***

    .Carmen: :) ainda vou dar em política ahahah

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