terça-feira, abril 10, 2012

Dos despedimentos

Eu acho que devia haver uma certa facilidade nos despedimentos. Em muitos outros países, se uma pessoa trabalha mal é despedida. Não há cá reprimendas, nem suspensões nem tribunais nem nada. É despedido e ponto final. Em compensação, um bom trabalhador é motivado através da valorização do seu esforço.

O problema é que não vivemos em "muitos outros países". Vivemos no país dos favores, das cunhas, dos lobbies. Vivemos num país em que são capazes de despedir pessoas capazes, inteligentes, competentes e trabalhadoras para poderem empregar os amigos, os amigos dos amigos, os familiares, os familiares dos amigos e afins, que de nada percebem do cargo que vão ocupar. E vivemos no país em que um bom trabalhador é, muitas vezes, pressionado para trabalhar muito mais do que seria suposto porque a empresa "teve" de despedir uma mão cheia de trabalhadores competentes - e agora estão com falta de pessoal - e as pessoas que contrataram posteriormente não sabem sequer o que é um telefone. 

Ou seja, se por um lado acho que um patrão não deva estar condenado a ter de pagar um salário a um empregado que não quer trabalhar ou que não desempenha as suas funções da melhor maneira, também acho que vivemos num país em que a entidade patronal aproveita-se cada vez mais da crise para mandar embora maus e bons. E o pior de tudo, para mim, é ainda retirarem a obrigatoriedade de comunicarem a intenção de despedimento ao trabalhador. Uma pessoa deve ter o direito de saber que o seu contrato não irá ser renovado. Uma pessoa deve ter direito a saber com o que pode contar. Uma pessoa deve ter o direito de procurar alternativas antes que seja tarde demais. 

Querem pagar as dívidas que este país tem. Pois, o mais comum dos mortais também tem direito de saber como é que vai pagar as suas próprias dívidas e contas. 

Porque na minha casa, quem gere as coisas sou eu e, tirando o meu apartamento, não tenho dívidas para com ninguém. Só compro aquilo que posso e nunca gasto aquilo que não tenho. Eu faço o meu papel. Mas nenhum governante português soube, em tempo algum, o seu papel para com este país nem para com os portugueses.


6 comentários:

  1. Infelizmente, muita coisa deveria ser diferente neste país e, os que menos têm são os que mais sofrem... :/

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  2. Falas-te muito bem!
    Tens toda a razão mesmo e muita coisa deveria mudar....

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  3. "Ou seja, se por um lado acho que um patrão não deva estar condenado a ter de pagar um salário a um empregado que não quer trabalhar ou que não desempenha as suas funções da melhor maneira, também acho que vivemos num país em que a entidade patronal aproveita-se cada vez mais da crise para mandar embora maus e bons." não poderia concordar mais!

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  4. Isto está a ficar cada vez pior! =(

    http://viverentrelacos.blogspot.pt/

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  5. Alice: é verdade! Obviamente que quando há cortes, mesmo que tenham a atenção de cortar mais aos que mais têm, e menos aos que menos têm, os mais desfavorecidos vão sempre sentir mais. Mas isto tem sido um abuso!

    eutambemtenhoumblog: muito obrigada :)

    D.Pereira: a verdade é que actualmente as leis laborais não estão bem. Dão muitas vantagens só aos trabalhadores e eu não concordo com tudo. Mas estão a ir de 8 para 80. Não percebo...

    Cátia: mesmo :(

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  6. Sabes porque fazem estas leis
    Porque estas pessoas não sabem o que é receber o ordenado mínimo ou um ordenado que mal chega para pagar as contas.
    Se recebecem ... sabiam o quanto custa chegar até ao final do mês.
    Isto só mostra que o patronato não tem o mínimo de respeito para com as pessoas que lhes enchem os bolsos. É ou não é?

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Gambuzinem