sábado, setembro 15, 2012

Sinto-me frustrada

Eu acreditei, e de certa maneira acredito, que certos sacrifícios teriam de ser enfrentados para mudar o rumo de Portugal. E sei que teriam de ser tomadas medidas que iriam custar, que iriam diminuir ainda mais a qualidade de vida de uma grande parte da população, mas que eram realmente necessárias e que iria ser algo temporário.

Mas sinto-me frustrada porque o exemplo tem de vir de cima e esse exemplo veio mascarado inicialmente numas viagens feitas em económica por parte dos ministros. Todas outras despesas públicas continuam a custar milhões todos os dias aos portugueses: ainda não resolveram o caso das PPP's, o processo da RTP e da TAP encontra-se algures entre uma gaveta escondida e uma destruidora de papel, os deputados continuam a gozar de carros pagos pelos contribuintes e conduzidos por motoristas disponíveis 20 horas por dia para estes senhores, suas mulheres, filhos, primos, tios, cão e gato para fins pessoais. Alguns funcionários públicos são vistos como escória que não merecem os subsídios de férias e natal e outras empresas públicas têm direito a excepção, apesar dos prejuízos. E continuam a dar dinheiro às centenas de fundações que só existem para empregarem amigos importantes. Isto só como alguns exemplos.

Sinto-me frustrada porque nunca se falou em penalizar os culpados de terem deixado o país chegar ao estado que chegou.
Sinto-me frustrada porque vi pessoas trabalhadoras à minha volta perderem o emprego, enquanto que outros que não fazem nem querem fazer nada da vida continuam a ganhar subsídios-de-inserção-deixai-nos-coçar-a-micose.

Sinto-me frustrada porque, por muito que saiba que este governo tinha a árdua tarefa de fazer de tudo para pagar as dívidas que outros criaram, hoje acredito que os senhores ministros estão mais preocupados em mostrar da forma mais arrogante possível que as suas medidas austeras são a única maneira viável de nos tirar da crise, por muito que haja outras pessoas altamente qualificadas e entendidas no assunto que digam que só assim não resolve nada, antes pelo contrário.

Estou frustrada porque a oposição, independentemente da cor partidária, é e sempre foi uma farsa, que critica, critica, critica mas não apresenta alternativas. Sinto-me frustrada porque, mesmo que apresentassem propostas, este governo, assim como os anteriores, são demasiado arrogantes para ouvirem o quer que seja. Sinto-me frustrada porque não há um único político que esqueça por momentos o seu real umbigo e que represente os direitos da população. Sinto-me frustrada porque é imperativo haver deveres, mas para todos sem excepções.

Eu não estou presente, fisicamente, nas manifestações que por hoje estão a ocorrer em Portugal - e até por isso sinto-me frustrada. Mas para quem lá está, pelas razões certas: têm todo o meu apoio.

11 comentários:

  1. É pelas coisas que referes que está tudo na mesma há anos e assim vai continuar. Infelizmente.

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  2. aquilo é deprimente, não sei porque é que insistem :/ e concordo muito com o teu post, ai será que algum dia isto muda?

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  3. quanto ao outro comentário que me fizeste.. acredito que seja, nem imagino quando perder os meus :s

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  4. Sentimo-nos todos frustrados. O exemplo deveria vir de cima e não vem.

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  5. As oposições são como os legisladores: quando fazem/aprovam leis, deixam sempre uma porta lateral, porque hoje estão de fora, mas amanhã podem estar dentro.
    Eu há muito que deixei de me sentir frustrado, porque a frustração é um sentimento de quem ainda acredita e eu já deixei de acreditar nos políticos.
    Não tenho e não acredito numa solução para a crise que não passe por muita violência. É um facto histórico. As crises económicas estão sempre na origem da guerra e, pode não ser amanhã, mas a Europa só vai encontrar uma saída através da guerra.
    Quem me dera estar enganado...

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  6. Eu fui. É frustrante de facto, por isso temos de lutar com todas as armas que temos.

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  7. Eu fui à manifestação de Lisboa. E também sinto as mesmas frustrações que tu. Queria muito acreditar que isto vai mudar. Queria muito que isto muda-se alguma coisa e que estes políticos pelo menos uma vez precebessem que o povo afinal não é tão sereno como parece, nem tão parvo como eles pensam. Mas sinceramente não sei. Continuarei no entanto a lutar com a arma que tenho, a minha voz. Sou uma pós- graduada desempregada e vivo num país que rouba aos pobres para encher os bolsos dos ricos. O que posso perder mais. Perco sim se não manifestar a minha indignação.

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  8. Concordo plenamente contigo e tal como tu sinto-me frustrada por não poder estar presente na manifestação mas em pensamento estive lá. É de lamentar que a situação tenha chegado a este ponto mas cabe a nós não deixar que piore.

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  9. Inês de Sousa: com muita pena minha :(

    Joana: não sei... Já no tempo dos romanos, éramos conhecidos como um povo caótico, desorganizado, mas que lá nos íamos desenrascando. Eu acho é que já chega só de "desenrascanço"!

    Noa: pois devia, mas infelizmente é mais "faz o que eu digo, não faças o que eu faço" :/

    Runaway*: eu percebo o que queres dizer, mas eu sinto-me frustrada porque tive de deixar a minha família e as minhas amigas aí. Eu gosto muito de Portugal, e gosto ainda mais de estar ao lado dos meus, mas à conta disto tudo, vir para fora foi a maneira que vimos para melhorar o nosso presente e futuro. Sinto-me frustrada porque preferia fazê-lo em Portugal...

    A Bomboca Mais Gostosa: se eu estivesse aí, também tinha ido. Mas as manifestações foram marcadas já eu tinha vindo para aqui...

    Maria: concordo contigo. Eu nem sou contra a troika, sem eles estaríamos ainda pior. Sou é contra os falsos moralismos de toda a classe política, e não é só do psd porque é o que está agora no governo. É de todos, porque antes destes, estiveram lá outros que conduziram ao país ao "lindo" estado a que chegou!

    Cocó Chanel: é verdade, é de lamentar tudo isto :(

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  10. O que me começa a assustar é este sentimento, esta voz interior que começou a soar como um despertador irritante, que me diz que por mais que me revolte, por mais que gambuzine que não vale a pena... que é altura de começar a procurar o meu queijo noutro lado, porque aqui já não há queijo. Roubaram-me o queijo, o que me deixaram mal tapa o buraco do dente que deixei de ter dinheiro para arranjar.
    E não gosto deste sentimento amorfo do "não vale a pena por mais que faça", porque bnão gasto fortunas em protector solar para me imolar pelo fogo por mais revolta e repulsa que sinta...
    Roubaram-me o queijo e tenho que redescobrir novas maneiras de encontrar um novo, que saiba a esperança.

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Gambuzinem