terça-feira, maio 14, 2013

A crise e as grávidas

Todos sabem - e se não sabem é porque andam desatentos - que eu não tenho grandes intenções de vir a ser mãe, pelo menos num futuro próximo. Já disse vezes sem conta que o meu relógio biológico ainda não deu qualquer sinal de vida, que eu não tenho grande jeito nem paciência para aturar crianças. Já ouvi que sou uma insensível, que mulher que é mulher tem é de procriar, e que a vida só faz sentido se assim o for. Eu tenho outras opiniões, cada um faz da sua vida o que quiser (dentro dos limites morais, éticos e até pessoais), e temos é de ter o discernimento para perceber se temos ou não vocação para esse emprego a tempo inteiro que é ser pai e mãe. Infelizmente, vejo que há pessoas que caem nessa pressão social que há para se ter filhos quando, na verdade, mais valia ficarem quietos. E, sinceramente, tenho outros objectivos os quais gostaria muito de os concretizar antes de pensar sequer nisso. Podem dizer que eu ainda sou muito egoísta para ter filhos, e dizem bem. Acredito que para se ter um filho, uma pessoa tenha de deixar (nem que seja um pouco) de lado esse egoísmo, coisa que eu ainda não estou preparada para tal.

Para além disto, há certas coisas que me assustam:  uma delas é o estar grávida. Assusta-me passar por todas as mudanças físicas, hormonais e psicológicas. Assusta-me o parto. Assusta-me ter em cima dos ombros a responsabilidade de cuidar, tratar e educar outro ser. E assusta-me a parte financeira, não conseguir dar a um filho tudo o que ele merece. E não estou a falar de brinquedos, roupa de marca ou coisas mais fúteis, mas sim coisas essenciais como uma alimentação saudável, material escolar e pagar propinas. Assusta-me não conseguir dar a um filho o que os meus pais conseguiram dar a três.

É óbvio que eu sei que uma pessoa não pode estar à espera do momento perfeito e ideal para se ter filhos, porque não existe. Até porque com esta crise toda, só vejo grávidas. Mulheres radiantes e super felizes porque vão ter um filho, pela primeira vez ou não. E eu fico feliz por elas, a sério que fico, se é algo que querem mesmo como é que não iria ficar feliz? Mas sempre que eu sei que há mais uma grávida, eu só penso: ter um filho nesta crise?

(P.s. isto não é uma crítica às grávidas e recém pais actuais, é apenas a minha perspectiva)


36 comentários:

  1. respeito completamente a tua opção...a minha é contrária, mas lá está...somos diferentes, temos direito a ter opiniões diferentes! neste momento não tinha um filho, até porque nem casa própria tenho, e quero antes ter uma vida a dois e só depois a 3! Mas sei que um dia vou querer porque adoro crianças e amava ser mãe! :) não percebo porque te dizem essas coisas ("que mulher que é mulher tem é de procriar" etc...) acho que todos temos o direito de escolher! Aliás, se não tens vontade o melhor é mesmo não teres, é preciso querer mesmo isto, um filho é para a vida! não é de usar e deitar fora! :)

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    1. Eu não digo que mais tarde não venha a querer, uma pessoa nunca sabe. Mas por agora, não muito obrigada :P

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  2. Percebo o teu ponto de vista. Mas completamente.

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    1. Eu também compreendo que as pessoas pensem o contrário, caso contrário não haveria renovação populacional... mas nestas coisas sou demasiado racional. Mesmo que quisesse, acho que esperava algum tempo para ver se a situação (a crise na europa) melhorava...

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  3. Sabes que eu já pensei exactamente o mesmo? Como é que havendo esta crise, falta de dinheiro, cortes e mais cortes, as pessoas têm (mais) filhos? Claro que nem todos são iguais, há quem ainda possa viver bem, que não tenha problemas financeiros, etc. Mas eu penso é naquelas pessoas que num casal, só um tem trabalho ou até nenhum tem trabalho. Como é que é possível que não tenham mais cuidado? A mim faz-me confusão. Acho que há coisas básicas, como tu referes, que têm que existir na vida de uma criança.

    E também percebo esse egoísmo que tu referes. Ter um filho é abdicar de muitas coisas,como por exemplo, a parte final do corneto, ehehehehe.

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    1. Sim, claro, as pessoas que tenham alguma facilidade financeira, digamos assim, acho bem (não tenho nada que achar, mas pronto)... mas sinceramente acho irresponsável pessoas que não têm quase suficiente para elas próprias e mesmo assim quererem e aparecerem grávidas... mas isso sou eu!

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  4. Eu quero muito ter filhos. Sinto, até, que estou mais que preparada, se bem que também acho que nunca se está verdadeiramente até viver a situação.
    Assusta-me esta crise. Penso na hipótese de algo correr mal... Mas isso pode acontecer em qualquer altura, estando o país em crise ou a nadar em dinheiro. Portanto, decidi não esperar mais, mesmo com os receios normais que qualquer mulher e homem têm quando pensam em ser pais. Senti que não valia a pena pensar em "ses" pois, como disse antes, algo pode correr mal em qualquer altura.
    Não estou a criticar a tua opinião, pelo contrário. Não há muito tempo pensava como tu e adiei o desejo de ser mãe pelos mesmos motivos que falaste no post. Até que a vontade de ter um filho falou mais alto e porque neste momento estamos bem, em todos os sentidos, deixamos de pensar tanto no amanhã.
    Há que haver um grande desejo e sentir que se tem o coração preparado para a chegada de um filho.
    Acima de tudo, o que interessa é ser feliz, com ou sem filhos, porque cada qual sabe o que é melhor para si. :)

    Beijinho :)

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    1. Eu tenho a noção que um dia mais tarde posso vir a querer ter filhos. Não digo o contrário. Mas o meu lado racional, nestes assuntos, fala sempre muito mais alto. Sou e fui sempre assim!

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  5. Eu gostava muito de ter uma cria agora, mas tenho de pensar nesta malvada crise..
    mas melhores dias virão e eu sei que não vai existir um momento perfeito..

    kisses***

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  6. Concordo com tudo.
    Também não quero ter filhos e existe essa pressão parva que parece que somos obrigadas. Acho uma estupidez e pior, uma falta de respeito. Não respeitam as minhas vontades e a minha opinião.

    Beijocas

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    1. Já ouvi boquinhas muito desagradáveis. Como se tivéssemos todos que querer e gostar das mesmas coisas!
      Beijinhos***

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  7. Eu ao contrário de ti já desejei muito ter filhos... pois quando temos alguém que amamos, só queremos mesmo partilhar essa felicidade com essa pessoa. Contudo a minha idade e a minha experiência limitam-me este pensamento, pelo que sinceramente ter um filho nesta altura da minha vida seria um crime, um terrivel erro! Basicamente porque também eu ainda me considero uma verdadeira criança. É preciso saber destinguir precisamente o que disseste, pois nem todos estamos preparados mentalmente até! Para educar e acompanhar o crescimento de outro ser vivo. Não é nenhuma brincadeira como muitos pensam. É algo muito sério.

    Eu só posso estar de acordo contigo.

    Beijinho*

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    1. Para mim não é o facto de amar muito alguém que me faz ou não querer ter filhos. É mesmo a ligação que eu tenho com as crianças, que não é das maiores lol
      Sim, é preciso distinguir bem as coisas. Infelizmente, por algumas pessoas não distinguirem bem as coisas é que vemos crianças abandonadas, vítimas de maus tratos, etc. E a passar fome. Porque eu não vou muito na conversa do "onde come 1, comem 2"...

      ***

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  8. Eu compreendo perfeitamente o facto de não quereres ser mãe, o facto de nem todas as mulheres o quererem ser. Acho perfeitamente normal. O que eu discordo é que a crise seja uma desculpa, porque se se quer um filho a crise não importa para uma criança para crescer bem e saudável, não precisa de exageros, os meus pais nasceram numa altura em que a vida era muito, muito dificil, a minha mãe ficou sem mãe aos dois anos e tinha cinco irmãos, e o meu avô trabalhava no campo. Acho que nestes ultimos anos nós tornámo-nos muito egoistas, claro que devemos ter um minimo de condições, mas se estivermos sempre a pensar em crise, ninguém tem filhos. Claro que devemos de abdicar de algumas coisas, mas se se quer, é uma opção, tal como é opção não ter filhos. Não devemos é arranjar desculpas. Isso para mim é que não é opção.

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    1. Eu compreendo o que queres dizer, mas a verdade é que há crianças a passar fome. Hoje, em Portugal. Não digo que as pessoas deixem de ter filhos por completo só por causa da crise, mas acho que há muitas pessoas que deviam ter mais consciência de que ter um filho não é o mesmo que ter um boneco.

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  9. Acho que acima de tudo és sincera e honesta contigo própria e isso vale milhões.
    É como dizes, muitas mulheres cedem à pressão e depois fazem "cócó" com os filhos, corre mal e por vezes corre pessimamente mal e negligenciam a criança que trouxeram ao mundo.
    Mais vale ser assim, teres plena noção do que és e do que não és.
    Bjs

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    1. É verdade, e apesar de não ter grande ligação com crianças, não sou uma insensível sem coração. Fico doida quando sei que há crianças vítimas de negligência, maus tratos, etc... As pessoas deviam ser mais responsáveis e ter consciência daquilo que realmente querem!
      Beijinhos*

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  10. Concordo plenamente contigo, penso exactamente da mesma maneira :D Nunca gostei de crianças e não tenho perfil para as ter. Por isso, filhos, não obrigada xD Ainda me custa a crer que há pessoas que dizem que as mulheres têm que procriar, isso é conversa do século passado, pelo amor da santa --'

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    1. Para teres noção, quando eu era criança já dizia que não gostava de crianças ahahahahahah Hoje não digo que não goste de crianças, mas não sei muito bem lidar com elas, isso não sei!

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  11. Eu também partilho mais ou menos a tua opinião.

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    1. Pode ser o meu lado racional a funcionar... mas é o que eu penso!

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  12. Se as pessoas deixassem de ter filhos por causa da crise então é que entrávamos numa verdadeira e trágica crise.

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    1. Eu nunca disse que todas as pessoas deviam deixar de ter filhos por causa da crise. Há casos e casos. Eu tenho o caso de uma rapariga que mal tem para ela e para o marido e mesmo assim não descansaram enquanto ela não engravidou. Isto, para mim, principalmente nos tempos que decorrem, é de uma irresponsabilidade incrível. E depois há pessoas que se admiram que haja crianças a passar fome. Se sempre houve crianças a passar fome, sim é verdade. Mas também é verdade que hoje em dia há mais que há uns anos atrás.

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  13. partilho o mesmo pensamento.

    pergunto-me se não têm medo da situação do momento, do desemprego, se estão assim tão confiantes?

    Por outro lado sei que se esperamos pela melhor altura, essa.... essa nunca vem, ou pelo menos há-de haver sempre outras prioridades, outros impedimentos (falo por mim, claro).

    Xi-Coração

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    1. Eu sei que nunca há momentos perfeitos, mas há momentos melhores que outros...

      Beijo grande amiga***

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  14. Cada um sabe de si e das prioridades. Ter um filho é uma decisão demasiado importante e por isso mesmo deve ser tomada em conciência e em conjunto.
    Respeito muito mais as pesssoas que sem instinto materno ou com outras prioridades optam por não ter filhos do que pessoas que sendo mãe ou pai, simplesmente não o são e/ou abandonam os filhos para os outros criarem.


    bjs

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    1. E eu também não me vou pôr a meio do casal para não terem filhos! :P
      Ainda bem que nem todos pensam como eu, que estão confiantes numa altura destas. Eu, mesmo que quisesse, acho que não iria querer ter um filhos nos próximos tempos. Mas lá está, é uma questão de prioridades.

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  15. Eu faz-me um bocado de confusão uma mulher não querer sem mãe (nunca!), mas respeito, cada um faz da sua vida aquilo que quer, tal como tu disseste. Quanto à crise que vivemos, também é verdade que é mais complicado ter-se filhos, mas penso que se tens algum dinheirito e esse for o teu desejo, deves arriscar porque senão nunca vais conseguir ter filhos...

    Tal como tu há imensas coisas que me assustam, as principais dizem mesmo respeito ao estar grávida e ao parto e também não conseguir adaptar as minhas rotinas às da criança, ainda é muito cedo para pensar nisso, mas um dia quero ser mãe!

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    1. Eu concordo contigo, se uma pessoa tem algum dinheiro e quiser realmente ter filhos, que deve realmente arriscar. Mas confesso que fico revoltada quando vejo grávidas a dizerem que passam mal, que não têm dinheiro sequer para as fraldas, que não sabem como vão fazer porque estão desempregadas e os maridos/namorados com empregos precários... É neste sentido que eu fico um pouco espantada quando vejo que certas mulheres estão actualmente grávidas...

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  16. Karina,

    Falou o teu lado racional, pode ser que um dia sintas um apelo do teu lado emocional, quem sabe?

    ;)

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    1. E eu tenho plena noção disso. Mas também acho que certas pessoas deviam ser um pouco mais racionais e um pouco menos emocionais.

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  17. tu pensas e eu respondo: deus ma libre!

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  18. Eu sou mãe, adoro sê-lo e não voltaria atrás por nada. Gostava que tivesse sido mais tarde, mas não posso dizer que me arrependo. E quero ter mais! Só ainda não aconteceu, por falta de estabilidade. Como tu, acho que não se pode engravidar assim, sem pensar nas consequências e nas necessidades da criança que vão trazer ao mundo. Quanto a quereres isso para ti, são opções, não condeno :)

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  19. eu vejo as coisas de forma simples... para criar duma forma bem simples, é preciso pelo menos uma fonte de rendimento em casa (e refiro-me a criar de forma bem simples) e mesmo assim esse nao chega, tendo em conta os salarios portugueses... mas qantos casais conhecemos em q ambos estao desempregados / em situaçoes precarias /sem qalqer tipo de poupança? entao nao me digam q antes criavamse mais filhos com menos dinheiro... antes toda a gente tinha um campozito onde podia produzir alguma comida pra familia, antes dividiase casa com as geraçoes mais velhas e por ai em diante... qantas familias hoje em dia tem acesso ao quintalzito? é q a comida é uma despesa necessaria, q mtos nem seqer essa conseguem pagar

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Gambuzinem