quinta-feira, outubro 10, 2013

Karma is a bitch!


Muitas vezes ouvi a história daquele relógio pendurado na sala da casa dos meus avós. Era um relógio de pêndulo, antigo, de madeira escura e trabalhada que foi resgatado pela minha mãe quando ela era ainda uma criança, contra um futuro impiedoso no lixo. É uma espécie de orgulho da minha mãe visto que hoje em dia aquele relógio ainda existe e, para além do valor monetário que deve ter, é de certa forma proprietário de um valor sentimental ainda maior.
Portanto, à primeira vista, isto é uma história muito gira de um relógio bastante antigo. Mas não é, porque a criatura tem um grande, grande, senão. De quinze em quinze minutos, aquilo toca pequenos excertos da Avé Maria. E de hora em hora, para além de tocar a Avé Maria por completo, toca as badaladas das horas que forem. Ora, escusado será dizer que quando ia passar férias a casa dos meus avós, aquele barulho metálico ensurdecedor a entrar pelos meus ouvidos, era coisinha para me deixar com os nervos em franja. Ainda mais quando, de noite, acordava com aquilo.
Anos mais tarde, o relógio vai para a casa dos meus pais. Uma alegria imensa para a minha mãe e uma tristeza avassaladora para mim e para o meu irmão. É claro que pensámos numa data de esquemas para que o bendito deixasse de tocar as badaladas e a música, mas se nós éramos teimosos contra o relógio, os nossos pais eram ainda mais teimosos a favor do dito. Instalou-se uma espécie de trincheira a ver quem é que ganhava.
Fomos nós e, sinceramente, já nem me lembro o que fizemos para que aquilo deixasse de funcionar - acho que tinha alguma coisa ver com papelinho a prender o pêndulo. Já podíamos dormir, finalmente, em paz sem sermos constantemente acordados com a Avé Maria.

Agora, ironia das ironias, vivo à frente de uma Catedral. Com sinos gigantescos e poderosos a tocarem de quinze em quinze minutos e de hora a hora a mesma música que o relógio tocava, assim como as badaladas. É, cada um tem o que merece. Eu tenho sinos dentro da minha cabeça.

11 comentários:

  1. Ahahahahahahahahaha, agora regressei às férias de Verão em casa dos meus avós. Não tocava o "Avé Maria" mas as badaladas... ui as badaladas!!

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  2. Nunca azei graça a esses relógios. A minha avó também tinha um lol

    Mas é preciso ter azar também :P
    Agora vai lá pôr um papelito nos da Catedral :P

    Beijocas

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  3. Lol
    O sacana do relógio teve a sua vingança. Cada um com a sua cruz. Vai à tal catedral rezar uma missa por alma do relógio da tua mãe, talvez as coisas se acalmem um pouco ;)

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  4. Realmente, estás mesmo destinada a ouvir a Avé Maria várias vezes por dia :P
    E nunca experimentei fazer pastéis de nata em casa, mas é uma excelente ideia! Costumam ser tão caros por aqui que deve valer mesmo a pena :) ***

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  5. Aqui não toca a avé-maria, mas de 15 em 15 minutos, lá está o sino aqui mesmo ao lado a badalar! E as vezes que já acordei durante a noite a ouvi-lo? Eu não tenho nenhum karma com sinos, por isso não merecia uma coisa destas...

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  6. Ahahahaha. Não podemos fugir àquilo que nos está destinado. :P
    beijinho

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  7. A isso se chama " karma" e é realmente uma coisa chata. :(


    bjs

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  8. Ah ah ah ah! Não pude deixar de rir... ah ah ah!
    Pode ser que te habitues e daqui por uns tempos nem dês por eles.

    Beijinhos

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  9. Já sabes como é o Karma :P coitadinha...estás lixada, mas com o tempo habituas-te, não?

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  10. Olha que giro temos o mesmo nome, e com K :)
    Em relação, a sinos, também eu vivo ao pé de um, toca só até as 22horas.
    No início quando cheguei a Portugal, (vim da Venezuela) aquilo metia-me uma confusão tremenda.
    Agora já nem me apercebo! L0L As vezes até me dá jeito de manhã, porque assim sei se posso dormir mais um pouco ou não!

    Um beijinhoo *.*

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Gambuzinem