segunda-feira, dezembro 16, 2013

Ser emigrante


Ser emigrante é muito mais que ter de lidar com um novo país, nova cultura, novos hábitos e novas experiências. É muito mais que sair da nossa zona de conforto. É muito mais que lidar com uma nossa nova sombra, a saudade. É muito mais que fazer todos os esforços para conseguir adaptar os nossos hábitos alimentares face àquilo que conseguimos ou não encontrar à venda. É muito mais que sentir que se é a pessoa mais feliz da vida quando se descobre que há um sítio onde se pode pedir pastéis de nata, quentes e com canela com uma bica a acompanhar e não com um balde de café de cafeteira. Ser emigrante é muito mais que sentir o coração a quase querer sair do peito de excitação quando o avião, ao chegar a Lisboa, vai dar a volta a Almada e consegue-se ver o Tejo, a ponte, as colinas, a cidade. Ser emigrante é muito mais que procurar, entre dezenas e dezenas de caras desconhecidas, os pais e/ou o irmão, a cunhada e/ou os sogros enquanto se atravessa a rampinha do aeroporto depois de se conseguir levantar a mala do tapete.
Ser emigrante é muito mais que isto tudo.

Ser emigrante também é ter de lidar com toda a logística das viagens e, isso, meus amigos, não é fácil. Nada. Muito menos no Natal. A verdade é que uma pessoa chega a um ponto em que já nem sabe muito bem o que ficou por lá (em Portugal), portanto o melhor é levar alguma roupa de inverno, antes a mais que a faltar. Mais roupa interior, meias e collants. E é preciso conciliar o espaço da mala com isto tudo mais as prendas de Natal e ainda toda uma selecção de artigos de higiene ("Será que tenho lá shampoo? É melhor levar... E pasta de dentes? Leva-se também"). Nada pior que chegar a casa depois da viagem, querer tomar banho e não ter com que se lavar. E não esquecer de tirar do frigorífico aquelas coisinhas que comprámos para experimentarem por lá. Tudo isto sem exceder 20 Kgs.
Mas não é só a mala de porão a preocupação. Como levo sempre o portátil comigo, convém não deixar por cá o carregador. Assim como o carregador do telemóvel. Já agora, não esquecer de levar os documentos, o check-in já impresso e umas bolachas para comer na viagem, para não gastar dinheiro durante o vôo. Ah, e os óculos de ver, bem como os óculos de sol. Muito importante levar óculos de sol para Portugal.
E onde está o cadeado para fechar a mala?
E os phones do telemóvel? E o inalador para a asma? E lenços de papel? E o livro para a viagem?

Ou seja, está na hora de confirmar que está tudo pronto e que não me esqueci de nada. Está quase na hora de sair de casa para ir... para casa!

19 comentários:

  1. O drama! Eu, enquanto estudante, passo pelo drama das malas quase todos os fins de semana e cada vez me custa mais.

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  2. Eu acho que o melhor é mesmo ver os que nos amam no aeroporto à nossa espera com um sorriso de orelha e no meu caso seria de lágrima no canto do olho, sou uma chorona no que toca a reencontros.
    Boa viagem.

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  3. Eu só funciono com listas! Vou acrescentando coisas conforme me vou lembrando e depois confirmo tudo. Senão deixo metade pelo caminho!
    Bom regresso! :)

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  4. tão bom :) fico tão feliz por ti quando vejo que estás a vir para Portugal :) está quaseeee **

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  5. Realmente uma lista é boa ideia. Ah, e bem-vinda ;)

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  6. Boa viagem! Não te esqueças de nada essencial!
    Beijinhos

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  7. o drama! hahahaha imagino e infelizmente (ou não) vou juntar-me para o ano a essa vaga de emigração ;)
    beijinho

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  8. Estive 5 meses fora, fui uma pseudo-emigrante e acredita que quando tive de voltar, trouxe 6 malas :( Nunca um bilhete de avião me tinha custado tanto dinheiro, cerca de 400€ :\

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  9. Oh minha querida, és uma guerreira é o que é!
    Faz boa viagem sim?
    Beijinho grande

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  10. O pior mesmo deve ser as saudades e habituar a tudo tão diferente... Viagens e afins, bem isso são pormenores.

    Beijocas

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  11. O pior das viagens é precisamente o fazer e desfazer malas. Mas a viagem em si compensa isso tudo. :)
    beijinho

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  12. ainda não inventaram o engenho para minimizar as coisas para estes efeitos.
    Já inventaram óculos que fazem uma data de coisas com o olhar, relógios que fazem outras tantas coisas, acho que está na hora da Apple ou Windons inventar uma coisa dessas, não. Diz lá se não dava jeito? :)

    beijo grande

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  13. Ser emigrante é ter uma força e uma coragem que me ultrapassam! Ser emigrante para mim é mesmo ter um coração pequenino pequenino e um nó na garganta...
    Um dia eu também vou ter coragem e força, e um coração pequenino e um nó na garganta!

    Vem, vem... Aproveita o natal :)

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  14. Oh, se fosse só isso!
    E a lista de comida que queremos comer durante o período mínimo que estamos em ''casa''.
    Mais visitar todo o rol de amigos. E comprar café decente para levar na volta (importantíssimo).
    Dilemas, tantos dilemas.

    Feliz Natal*

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Gambuzinem