sexta-feira, fevereiro 28, 2014

Dos segredos engraçados



Confesso que não consegui deixar de esboçar um sorriso quando li isto. Isto porque  minha mãe podia ter escrito este segredo. No entanto, sei que não foi ela porque não é segredo para ninguém: ela sempre disse, e continua a dizer, que eu era das bebés recém-nascidas mais feias que alguma vez tinha visto. Já o meu pai diz o contrário, que eu era linda, linda, linda. Podem imaginar as picardias que, ao longo de 28 anos, tem havido lá em causa à conta desta história. Mas tenho que dar toda razão à minha mãe, até porque há fotografias que comprovam: eu era feia. Enrugada, vermelha, muito pequenina, com tanto cabelo, preto e espetado. Isto, aliado aos meus olhos amendoados, fez com o que eu meu irmão me chamasse de Punk Chinesa. E muito meiguinho foi ele, visto que, sempre que vejo a minha fotografia com um dia apenas de vida, acho que estou a ver um macaquinho depilado.
A minha mãe chega a contar que durante o primeiro mês de vida, até tinha alguma vergonha de me levar à rua, muito em conta do meu cabelo que não queria, por nada deste mundo, deixar de ficar espetado. Mas que passado um mês, foi como se o patinho feito se tivesse transformado, miraculosamente, num cisne lindo. E sim, também há fotografias a comprovar - não é para me gabar, mas se eu sou a primeira a dizer que de início parecia um macaco, também não tenho pudor nenhum em dizer que me transformei num bebé bonito. E sorridente. E espevitado. E alegre. E inteligente.
Pronto, isto para dizer que eu não acho mal nenhum que uma mãe ache o seu filho recém-nascido feio, antes pelo contrário. Só mostra que tem olhos na cara. Desde que dê amor e carinho - e eu que não podia ter pedido mais - o resto são conversas.

Eu, depois da minha fase como Punk Chinesa. Ou macaquinho depilado. Ou ratinho enfezadinho. You name it!

quinta-feira, fevereiro 27, 2014

Sabes que estás a ressacar por Verão...


1. Quando vês um filme engraçadinho, cuja história balança entre o dramático e a tentativa de ser cómico, que mete dilemas humanos bem reais e, no fim, viras-te para a pessoa que está ao teu lado (no meu caso, Sr. Gambuzino) e dizes "bem, a conclusão a que cheguei foi: ali é Verão o ano inteiro. Brutal! Quero!"

2. Quando te deitas na cama à noite, tapas-te até ao nariz, deixas-te aquecer, fechas os olhos e pensas "agora imagina que é Verão, que estás deitada na cama sem um lençol que seja por cima e que está um calorão daqueles... amanhã vais à praia, vais apanhar vitamina D nesta tua pele pálida alforreca transparante, vais beber sumo de laranja bem fresquinho, vais comer melancia e sandes com queijo fresco, tomate e oregãos, e vais ficar a cheirar a protector solar (+50 para não apanhares nenhum escaldão). Vais para casa, tomas banho, vestes um vestido fresco e vais jantar a casa dos pais, comer uma salada de feijão frade, no quintal."

3. Quando comentas "não sou muito apreciadora de fruta... quer dizer, a de Verão gosto. A melancia, o melão, a meloa, a ameixa, a cereja, o pêssego, a nectarina..." e dás por ti a babar-te fortemente que nem um boxer ao ver um naco de carne à frente.

4. "Queres ir ali beber uma cerveja?", pergunta-me ele. "Humm, sabes que eu não gosto muito de cerveja. A não ser que seja Tango. Mas isso só sabe bem no Verão. Quero um Tango. Quero Verão! Quero um Tango e o Verão já!".

5. Quando vês imagens (fotos ou vídeos) do pessoal em Miami ou em Los Angeles nesta altura do ano de calções e sandálias e o teu coração começa com palpitações e os olhos inundam-se de lágrimas.

6. Quando sais de casa e estás, pelo menos, 10 minutos a rogar pragas por mal te conseguires mexer de tão enchouriçada que estás. É collants, é calças, é meias, é camisa interior, é camisola, é blusão, é cachecol, é gorro, é luvas... É demasiado.

8. Quando, ao final da noite, tiras as botas, as meias, os collants, e já com o pé nu, mexes os dedos só para saber que estão vivos e que não paralisaram dentro das botas, fechadas, claustrofóbicas.

9. Aos 8 anos, ias de viagem com os teus pais, de férias e, de cinco em cinco minutos perguntavas "falta muito para chegar". Aos 28, estás a meio caminho entre Portugal e a Islândia e perguntas "falta muito para chegar o Verão?".

quarta-feira, fevereiro 26, 2014

Viagens de sonho... #10



Londres
Aproveitando o primeiro fim-de-semana de Maio, que para além de ser prolongado, calha Sr. Gambuzino fazer anos, decidimos ir, finalmente, conhecer aqui a ilha ao lado, terra de sua Majestade. O hotel  já está reservado e as passagens de avião, compradas.  Para melhorar, a pièce de résistance, crème de la crème: vamos ter o prazer da companhia dos meus pais, que vão lá ter. Conseguimos conciliar chegar praticamente à mesma hora, ao mesmo aeroporto e, no regresso, idem-idem, aspas-aspas.
Escusado dizer que estou mais do que ansiosa. Óh, estou pois!

terça-feira, fevereiro 25, 2014

Facto #7

Não sou pessoa com mau perder. Não fico chateada, não barafusto, não começo a incriminar os outros jogadores de batoteiros. Em compensação, reconheço que tenho um péssimo ganhar: "Yeah baby! Ganheiiiiiiiiii! Tumbas! Toma e embrulha! Quem é a maior? Quem é? Sou euuuuuu!!!"

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Por aqui ouve-se...

Pondo de parte o facto de eu não ser apreciadora de cerveja e muito menos da Guinness, a verdade é que fazem anúncios realmente bons. E foi à conta do seu último anúncio que descobri esta música, pela qual estou deveras viciada.

To tell me now, tell me now
and show me how, show me how
to understand, understand
what makes a good maaannnnnnnn?



Sabes que estás na Irlanda quando...


Abres a janela da sala e a única coisa que consegues sentir no ar da rua é o cheiro o Fish & Chips.

quarta-feira, fevereiro 19, 2014

O bom, o bonzinho e o que se faz passar por bonzinho


Ser boa pessoa não tem nada a ver com ser-se bonzinho. Ser boa pessoa é aquela com valores morais bem vincados, que não faz mal intencionalmente, que é amiga dos amigos que respeita o outro. Vive muito de acordo com a máxima "não faças aos outros o que não gostarias que te fizessem a ti". A boa pessoa erra, claro que erra, mas também pede desculpa. A boa pessoa não precisa de ser boazinha.
Os bonzinhos, por sua vez, são aqueles que não sabem dizer não e que não aprendem a diferenciar as pessoas com boas ou más intenções porque, aos olhos dos bonzinhos, todas as pessoas são boas e livres de mau carácter. O bonzinho é espezinhado, é humilhado, e faz o que acha que os outros estão à espera que faça, independentemente de ser ou não o melhor para ele próprio. O bonzinho não se impõe, não levanta a voz. O bonzinho é um gato-sapato nas mãos de toda a gente. Já aqueles que se fazem passar a penas por bonzinhos são os que riem pela frente e falam mal por detrás. Humilham os outros de forma muito subtil, e manipulam de forma ainda mais subtil. Os que se fazem passar por bonzinhos são cínicos, mentirosos, e fazem o que têm de fazer para atingir os seus objectivos, grande parte das vezes pela auto-vitimização.

Eu conheço um casal em que ele é o bonzinho e ela faz-se passar por boazinha. Ele é cinco estrelas, amigo, divertido (ou já foi, em tempos), não faz mal a uma mosca. Ela tem olhar de sonsa mas tem conseguindo tudo o que quer só pela a manipulação. Ela humilha, ele é humilhado. Ela suga a energia, ele torna-se cada vez mais triste e distante. Ele foi avisado, quantas e quantas vezes, mas de início achou que estavam todos errados e, quando abriu os olhos, se é que abriu realmente, achou que era tarde de mais.

E é aqui que eu acho que é a grande diferença entre o ser bom e ser bonzinho. A pessoa boa não acha que se torna numa má pessoa por querer ser feliz e, caso seja necessário, por ter de cortar com aquelas pessoas que não lhe fazem bem, de forma a seguir em frente. Por achar que nunca é tarde de mais. O bonzinho não. O bonzinho não percebe que só se vive uma vez e que não precisa de ser infeliz para os outros serem felizes. O que se faz passar por bonzinho não quer saber. Mostra o sorriso mais amarelo que conseguir, umas lágrimas ao canto do olho, diz que gosta de crianças, de velhinhos e de animais, que não gosta de tatuagens nem de Metal Music - os pontos que esta gente ganha aos olhos dos outros só por dizer estas coisas! -  e vai abrindo caminho em direcção aos seus objectivos, com a sua maldade e com o seu cinismo sempre presentes em cada palavra e acto que realiza, disfarçados de festinhas nas costas. Cá eu não só não sei ser cínica como sou um livre transparente (às vezes, demasiado transparente): não consigo aturar esta gente que se faz passar por boa. Demasiado perigosa para o meu gosto.

terça-feira, fevereiro 18, 2014

Isto de trabalhar em casa


Nunca tive grandes ambições de ser freelancer. A ideia de não sair de casa (apesar de bastante apelativa por muitos), de não ver pessoas, de não apanhar ar e ver movimento, nunca me agradou por aí além. Por isso, não era o meu intuito ser freelancer quando vim para Dublin. Mas a vida dá tantas voltas loucas e estonteantes que por motivos alheios à minha vontade, como um pequeno percalço de saúde que me trocou os esquemas todos, foi mesmo isso que acabou por acontecer. E aquilo que eu sempre achei que iria ser, confirmou-se: ficar em casa o dia todo consegue ser realmente entediante, mesmo estando o dia todo ocupada.

Para já, acaba por haver uma maior motivação para se passar o dia todo de pijama, assim como para não haver grandes horários e a penas uma única rotina: aquela que me leva do quarto para a secretária que está na sala para trabalhar. Depois vem a parte do desleixo: para quê pintar as unhas, pôr maquilhagem ou aquele colar, ou andar tão preocupada por ter um pêlo das sobrancelhas a mais e fora do sítio se, de qualquer das formas, fica-se em casa o dia inteiro, sem ver ninguém, saindo durante a semana praticamente só para fazer compras de mercearia e pouco mais.
Confesso que ainda andei umas semanas com este tipo de pensamento na mente até que decidi que não. Ver no reflexo um trambolho desleixado com uma uni-sobrancelha não é para mim.

Comecei por criar uma rotina e estabeleci horários. Se por vezes me dou ao luxo de ficar mais uns minutos na cama porque não vou chegar atrasada a lado nenhum, a verdade é que não me deixo ficar manhãs inteiras na ronha. Almoço todos os dias quase sempre à mesma hora, mais minuto, menos minuto. Não passo os dias de pijama - só de pantufas porque são realmente quentinhas. E por fim, houve um dia que me sentei com o meu pequeno e redondo espelho de rosto à frente e, pêlo a pêlo, fui endireitando as sobrancelhas que tinham em tempos deixado de ser uma preocupação. Pintei as unhas. E pus um rímel nas pestanas, "para o olho sorrir!"
Continuo a achar que ser freelancer não é uma situação ideal - há dias em que só me dá para bater com a cabeça nas paredes -, apesar de também me dar liberdade, que de outra forma não teria, para realizar outros projectos pessoais ou viajar para Portugal quando tenho de ir. Mas lá por não ser aquilo que eu mais queria da vida, não quer dizer que eu tenha de desistir de mim e da minha aparência.
Posso não ter a colega de trabalho a elogiar-me o novo corte de cabelo, ou o novo casaco ou como as sobrancelhas estão tão bem arranjadas (conversa tão tipicamente feminina), mas tenho a minha própria aprovação, o que, se não é mesmo o mais importante, pelo menos já reforça o ego. 

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

quinta-feira, fevereiro 13, 2014

Da minha veia muito pouco romântica


É sabido que eu nunca achei muita piada ao dia dos namorados. O amor deve ser comemorado todos os dias e nada tem a ver com jantares românticos à luz das velas, com rosas vermelhas numa jarra (de cristal da Atlantis, não de vidro do Ikea!) em cima da mesa, oferecido pelo mais-que-tudo que também trouxe um urso em peluche, grande e fofinho a segurar um coração, sem se esquecer da caixa de bombons para sobremesa e, claro, mais uma prenda qualquer, como um perfume ou um vestido caro e sexy. Como se S. Valentim fosse o Pai Natal de Fevereiro. Isto tudo ao som de uma música bem romântica e lamechas.
A verdade é que não sou uma rapariga muito romântica. Não gosto de músicas românticas ao estilo de Michael Bublé ou Shania Twain. Não choro baba e ranho a ver filmes românticos, rosas só se forem daquelas bem, bem escuras, e não sou dada a grandes afectos em público. E faço uma careta e deito a língua de fora quando Sr. Gambuzino é demasiado meloso para mim.
Mas gosto dos pequenos gestos. Como quando me dedica músicas no facebook, escolhendo aquelas que sabe que eu gosto realmente e não só porque é super bonita, lamechas e romântica. Uma das últimas músicas que me dedicou foi dos Slipknot e eu, que nunca tive dúvidas - que fique ciente -, voltei a ver naquele post a confirmação confirmadíssima que ele está para mim como o queijo da serra está para o doce de abóbora e nozes e bolachas de água e sal: das melhores combinações de sempre! Gosto quando divide a última fatia de bolo para me dar metade. Gosto da originalidade: sabendo que eu não gosto muito de alianças de noivado, ofereceu-me um colar quando me pediu em casamento. Gosto do facto de sabermos que podemos contar um com o outro e nada tem a ver com comprar postais com palavras bonitas, ou oferecer flores, bombons ou outra coisa qualquer. E sim, é claro que também gosto receber prendas, mas prefiro quando menos espero, só porque lhe apeteceu. Como gosto quando não temos nada combinado e decidimos do nada ir almoçar ou jantar fora. Só porque sim, sem ter a ver com alguma ocasião qualquer especial. Gosto da espontaneidade.
Por isto tudo, vejo o dia dos namorados como um dia marcado que tem mais a ver com o ser-se romântico e, acima de tudo, consumista: o amor, esse coitado, acaba por ser a penas um pretexto para se gastar dinheiro e mostrar que se é muito romântico. Compram-se umas prendas, é-se muito romântico, e mostra-se que se ama muito. Uma espécie de ciclo vicioso que dura 24 horas.
Portanto, os planos de amanhã não incluem prendas nem jantar a dois mas sim com a malta amiga do costume. Jantar à luz das velas, só se a electricidade falhar.

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

A vantagem de não ser uma comedora de carne numa terra onde só se come carne


Nos restaurantes, ainda está Sr. Gambuzino indeciso entre 22 pratos diferentes de carne disponíveis - e muitas vezes ainda pergunta se não tem a única coisa que não vem no menu - e já eu escolhi as entradas, o prato principal, bebida e a sobremesa (aqui é que sou capaz de ficar um pouco indecisa) e já vou a meio da leitura do cardápio só para ajudar o homem a decidir-se de uma vez por todas. Isto porque, tirando as vezes em que vou a restaurantes vegetarianos, por norma demoro mais tempo à procura da secção de comida vegetariana do que a escolher o prato em si, visto que por norma há só um. Dois, três no máximo dos máximos. Portanto, um processo super hiper mega rápido. Ultra vantajoso quando estou cheia de fome.
Há que ver as coisas pela positiva.

terça-feira, fevereiro 11, 2014

Assim, sim

Finais de tarde assim, frias, geladas, geladérrimas (de momento, a temperatura realmente sentida encontra-se nos 10 graus negativos), só acabam bem com um chá quente e uma tarte maçã para aconchegar o estômago e a alma. Assim, está muito bem.


Motto of the day

segunda-feira, fevereiro 10, 2014