terça-feira, fevereiro 04, 2014

"Temos o direito de ser humilhados"



Um dos aspectos mais positivos da faculdade onde tirei o meu curso foi o facto de não haver a tradição das praxes. Sei que em anos anteriores chegou a haver mas sempre com um carácter extremamente inofensivo: não eram obrigatórias, só era praxado quem quisesse, e o máximo que faziam era pintar umas coisas na cara e pouco mais. 
Mas continuando, eu não fui praxada. Eu não tive de me meter de quatro. Eu não tive de comer coisas que não gostava. Não tive de assaltar bancos. Não tive de ler a revista Maria aos altos berros. Não tive de andar a passar palitos de boca em boca.
Eu não fui humilhada e integrei-me. Fiz amizades com colegas do meu ano, com colegas de outros anos e de outros cursos para além do meu. Já o Rally das Tascas era levado mais ou menos a sério, mas isso é outra história. Fiz amigos na faculdade porque o meu objectivo não era arranjar inimigos para integrar-me num estabelecimento mas sim, acima de tudo, aprender e tirar a minha licenciatura, e conhecer pessoas de uma forma pacífica. Sim, posso ser muito peace and love, mas a história toda de humilhação como forma de integração não me faz sentido nenhum.
Qualquer das formas, conhecendo-me como conheço, tenho a noção que diria não se me tentassem praxar. Prefiro ser considerada anti-social e "cortes" do que fazer aquilo que eu não acho correcto para mim. 
Sobre este excerto só posso dizer que abanei a cabeça em tom de desaprovação. Não tanto por haver pessoas que gostam e defendam as praxes - ei, cada um tem o direito de gostar do que quiser - só tenho pena de ver argumentos tão pobres. Direito à humilhação? Andaram as gerações anteriores a lutar pelo direito de igualdade, por direitos humanos, e agora dizem que querem ter direito à humilhação? Não que tivesse lido, mas pelo que sei da história, mais parecia um trailer improvisado das 50 Sombras de Grey.

7 comentários:

  1. Subscrevo praticamente tudo o que disseste. A praxe na minha faculdade também não era nada de extraordinário, fui uma semana e depois disse que aquilo não era para mim, não tinha paciência.
    E fiz amigos, integrei-me, tudo normal.
    Esses aí do excerto são apenas palermas que não têm cabecinha para pensar por eles próprios.

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  2. Eu nem sei o que dizer sobre esse argumento. Assustador, no mínimo...

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  3. Outro dia deram-me esse mesmo argumento: direito a ser humilhado, a experimentar o que foi a ditadura. Achei esse ponto de vista tão auto-destrutivo que nem tive palavras para dizer o que quer que fosse.

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  4. concordo com cada linha deste teu texto, esse argumento é a coisa mais idiota que ouvi nos últimos tempos.

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  5. Por amor da santa... eu tenho a mesma opinião que tu e os argumentos são ridículos. E direito a humilhação? Nem há resposta

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  6. tens toda a razão :) ninguem merece ser humilhado!

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  7. De facto essa frase é no mínimo estúpida... e digo isto mesmo tendo sido praxada. Fui praxada porque quis e me divertia mas nunca me senti humilhada, se tal acontecesse com certeza não participaria.
    Um beijo.

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Gambuzinem