sábado, março 01, 2014

Um dia de mudança

Conheço a P. há catorze anos. Metade da minha vida, portanto. Nesta segunda metade da minha vida, a P tem estado presente nos momentos mais marcantes, assim como nos momentos assim-assim e, claro, nos momentos mais parvalhóides, no que diz respeito à escala de matéria interessante. Ela é a minha madrinha de casamento, minha amiga e uma irmã para mim.
Temos feitios bem diferentes mas gostos idênticos. Percebemos o silêncio uma da outra mas também berramos entre nós quando cada uma teima e defende teorias diferentes. Já pedimos desculpa uma à outra. Já choramos juntas. E risota é o que não falta: entre o meu humor irónico, sarcástico e negro, e a leveza com que ela faz os outros rir, é impossível não nos acharem meio palhacinhas. E as private jokes são mais que muitas.
Sabendo perfeitamente que largar a minha mãe no aeroporto iria ser o equivalente a arrancarem-me as pernas e os braços ao estilo de tortura medieval, foi a P que me levou ao aeroporto de Lisboa quando vim de armas e bagagens para Dublin. Hoje sou eu que vou buscar a P ao aeroporto de Dublin, que decidiu vir para cá de armas e bagagens. E foi assim que eu descobri que a P é um mulher cheia de tomates: farta dos queixumes típicos de quem já não aguenta ver e ouvir a crise, decidiu largar tudo -inclusive os queixumes - e vir para cá à procura de um futuro melhor. 
E agora estou eu no aeroporto à sua espera de braços abertos para receber a minha querida P, amiga, madrinha, uma irmã para mim e uma gaja cheia de tomates.

3 comentários:

  1. amizades assim valem a pena! :D aproveita que nem todos têm essa sorte!

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  2. Que tenha imensa sorte por esse lados gelados!
    E agora tens aí a tua 'irmã :D

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  3. Grandes mulheres vocês são. E é bom ter amigas assim!

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Gambuzinem