segunda-feira, abril 28, 2014

A minha primeira visita a um hospital irlandês

Creio que aqui já disse - e não há muito tempo - que sou uma pessoa dada a pequenos azares. O meu historial de quedas e encontros de terceiro grau vêm desde muito cedo e sempre de formas minimamente aparatosas. Quando era pequena, tropecei no tapete da sala e bati com a testa na esquina de uma mesa de mármore - ainda hoje tenho uma pequena cicatriz a comprovar esta história. Como nunca soube muito bem estar quieta, consegui com que o ferro da roupa, enquanto a minha mãe passava a ferro, caísse em cima da minha perna - na altura ainda fiquei com a marca do triângulo. Já caí duas vezes em escadas: na primeira, desci por meio de cambalhotas ("olha, a Karina vem ali... e agora só vejo um braço... e agora o outro... e agora uma perna... e agora a outra", é assim que o meu irmão conta), e da segunda vez decidi escorregar logo no primeiro degrau de umas escadas de uma estação de comboios e desci todo um lanço deitada, de costas para baixo. Já me estatelei à grande à frente de um palco que estava no paredão da praia, com uma plateia relativamente grande a assistir ao meu voo em pique em direcção ao chão. Já desapareci da vista de um colega, enquanto descia a rua depois de um dia de trabalho: ora estou eu muito bem ao seu lado, ora no segundo seguinte deixa de me ver: olha para baixo e lá estou eu muito bem estatelada no chão. Tenho um dente da frente partido porque virei antes do tempo e bati contra a parede do corredor, enquanto bocejava - sorte a minha que consegui segurar a parte partida e hoje tenho as metades do dente coladas/seguradas à conta de uma prótese. Na semana passada conseguir cortar um dedo enquanto limpava uma das lâminas do robot de cozinha - claro, se corta cenoura, também há-de cortar dedos. E isto é apenas uma pequena lista, que se fosse a contar tudo não sairíamos daqui hoje. Felizmente, não sei como, tirando o dente nunca parti nada, um único ossinho que fosse.


Ontem, o azar voltou a bater à porta. Mais concretamente, à ombreira da porta. A situação foi tão estúpida que até eu me ri enquanto contava à minha amiga P. o que tinha acontecido. Então, o que aconteceu foi o seguinte: ontem à noite baixei-me para guardar o copinho do detergente líquido da roupa na despensa e, não sei como - se virei a cara antes do tempo, se tropecei, se perdi o equilíbrio, se o quê - quando dou por mim, estou em queda-livra para o meu lado direito e bato com a parte superior da cana do nariz, com toda a força, na ombreira da porta. Tiro os óculos, agarro-me ao nariz para ver se estava a sangrar - não estava - mas a dor era tanta que digo uns quantos nomes feios, a mim própria e à ombreia da porta por estar ali a meio - é que cair para o chão, já eu tenho prática e a técnica de saber cair vai-se aperfeiçoando. Agora contra uma parede já a coisa é mais complicada.
Sr. Gambuzino e a P. procuram na internet farmácias que pudessem estar em serviço, e eu sento-me no sofá com um saco de ervilhas congeladas no nariz. Como não estavam a encontrar - pelos vistos as farmácias por cá fecham, o mais tardar, às dez da noite - decidimos que seria melhor ir ao hospital, só por uma questão de precaução, visto que a probabilidade do nariz estar partido era pequena. E pronto, lá fui eu, já passava das dez da noite para o hospital, onde estive, se tanto, 10 minutos. A fila de espera era tão grande que a senhora, visto que o nariz não parecia partido, aconselhou-me a voltar hoje de manhã caso estivesse com um inchaço muito grande. "Entretanto, ponha gelo aí!". "E vou ficar com o olho negro?", perguntei eu. "Ah, pois, é possível que sim... mas se vir que amanhã não está melhor, venha cá!".
Pronto, tirando a ferida que tenho devido aos óculos, e de o sentir bastante dorido, hoje parece-me não estar tão inchado quanto ontem. E, sinceramente, nem consigo perceber muito bem se tenho o olho ligeiramente negro se são apenas olheiras.

5 comentários:

  1. Eh pá, que pontaria do caneco...
    Espero que o nariz esteja em condições :)

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  2. OMG! Ai rapariga pá, és pior que eu! Eu pareço uma banana pisada, e o pior é que não sei onde me magoo! E sim, as ombreiras das portas mexem-se. Aqui em casa isso também acontece!

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  3. Bem isso é que é um grande historial de quedas!
    Espero no entanto que esse pequeno acidente não seja nada de grave! :)
    Um beijinho e as melhoras*

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  4. Bem realmente que historial! Isso é que é ter azar X)
    As melhoras
    Bj*

    365 Days of Blues

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  5. Caramba, és profissional da queda! Espero que estejas bem. Beijinho

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Gambuzinem