segunda-feira, junho 30, 2014

Fashionable Mondays

Fashionable Mondays

A história da minha vida


No auge da minha esquisitice no que toca a escolher calçado, dou por mim na secção gigante de sapataria de uma certa loja e a gostar de uma única sandaloca. E qual o problema? O problema é esse mesmo: o de ser a única, mais propriamente a do pé direito. O seu par já tinha fugido sabe-se lá para onde e, daquele modelo, já não havia mais nada. E é esta a história da minha vida.

sexta-feira, junho 27, 2014

Do jogo de ontem: saldo positivo!

Pelo menos para mim, que fui ver o jogo (ou fui acompanhar quem viu o jogo) ao restaurante Português cá em Dublin e matar saudades de caldo verde, peixe espada, e cuscuz de cabo verde. E ainda bebi um sumol de laranja.

Ah pois é! Karina sem acento a ver o lado positivo das coisas desde 1985.

A moda do facilitismo

Todos os anos, na altura dos exames, as notícias sobre a dificuldade dos exames nacionais repetem-se. Todos os anos criticam que o teste de matemática foi demasiado complexo, que o teste de português era demasiado extenso, que o teste de biologia era demasiado para a cabeça dos pequenos xuxus que querem entrar na faculdade. Todos os anos, fazem cafuné na cabeça dos meninos porque, coitadinhos, estudaram arduamente durante três semanas para, chegados ao dia do exame, atirarem para cima da mesa um bicho papão em forma de teste muito complicado.

E eu questiono: será que são os programas e os exames muito complexos, ou será que a preparação é pouca? Porque, por aquilo que tenho visto, o facilitismo a que estas novas gerações estão habituadas está a atingir, a meu ver, patamares catastróficos, o que só desmotiva aqueles que querem realmente estudar e serem bons alunos e também não motiva os restantes a serem melhores alunos, visto que sabem que não precisam de estudar muito para terem positiva nos testes, passarem de ano e, futuramente, entrarem numa faculdade.

Lembro-me de, há onze anos atrás, quando acabei o ensino secundário e entrei na faculdade, ter levado com três anos duros e complexos de Geometria Descritiva A. Não foi só a minha paixão e amor profundos por esta disciplina que fez com que tivesse tido 20 no exame nacional e 20 de média dos três anos de secundário, nem foram (muito menos!) os testes fáceis: foi a paixão e o amor que os meus professores de geometria descritiva, principalmente os do 10º e 12º anos, tinham em ensinar, em explicar e na matéria em si, na complexidade e dificuldade dos seus testes, e na minha preparação contínua durante três anos, e não duas ou três semanas antes dos testes, que fez com que o meu exame nacional, um dos mais puxados e complexos em relação aos dos anos anteriores, tivesse sido feito com uma perna às costas. E a minha preparação não consistia em longas horas a estudar, bastava estar atenta às aulas e fazer os exercícios em casa. Por norma, na véspera dos testes, já nem abria o livro de exercícios. E quando digo geometria descritiva, digo para as outras disciplinas: a minha prioridade era entrar na faculdade e, como tal, foquei-me nisso.

Hoje os meninos estão habituados ao fácil. Sabem que pode assim pode ser, que podem estudar na véspera, que não é preciso muito para entrar numa faculdade. Muitos professores também não querem perder muito tempo com matérias difíceis e ainda menos a corrigir testes complexos. Sim, é um aborrecimento uma pessoa ter de se preparar para o pior, para o mais difícil, para o mais complexo. E é chato uma pessoa ter de ficar retida um ano porque não teve boas notas. Mas eu, pessoalmente, sinto-me mais confiante por um futuro melhor se souber que os meninos que hoje entram na faculdade são os que estão realmente melhor preparados e merecem mesmo lá estarem - sei isto por experiência própria, o difícil que é entrar para um curso que pedia uma média alta, e sei, igualmente, que mereci entrar naquele curso porque preparei-me e porque não estive à espera do mais fácil.

quinta-feira, junho 26, 2014

Atenção redobrada


Sr. Gambuzino consegue ser um pouco, vá, destrambolhado. Eu sei que tem boas intenções e que tem uma repulsa infinita por casos de violência doméstica mas não quer dizer com isto que eu não sofra com a destrambolhice aguda dele.
Vejamos: já acordei a meio da noite sobressaltada porque ele, ao virar-se da cama, mandou-me uma cotovelada de tal maneira que passei vários dias com um derrame no olho. Já acordei com a mão dele em cima da minha cara - e ele a dormir angelicalmente. Ele, que é tratado pelo meu irmão como "coisinha elétrica que nunca pára quieta", nem a dormir fica parado e, como tal, passo a vida a levar com joalhadas dele, na cama. Já fiquei uma nódoa negra na perna porque, estávamos nós a jogar ping-pong, quando o moço lembrou-se de mandar uma bojarda com tal força e velocidade que mais parecia o meteorito que dizimou os dinossauros, sendo que dessa vez aterrou na minha perna. Vai e não vai, esquece-se que não está a falar com amigos machos e manda-me com cada estalada nas costas que até uivo. Já adormeceu umas quantas vezes por cima dos meus cabelos - e o problema não são os meus cabelos mas sim o facto dele tentar dominar tanto a almofada dele como a minha.
Ontem à noite tentou fazer-me uma festa na cara e acabou com o dedo polegar dele dentro do meu olho esquerdo.

Ora, já não bastava eu ter de lidar com o meu próprio fado em andar sempre contra as coisas e em cair, ainda tenho de ter atenção redobrada à conta de Sr. Gambuzino. Então, 'tá bem...

quarta-feira, junho 25, 2014

terça-feira, junho 24, 2014

A reacção típica

Sexta-feira à noite, estávamos nós a falar com uma irlandesa que tinha metido conversa connosco numa esplanada, quando, conversa puxa conversa e ela pergunta qual o valor do ordenado mínimo em Portugal. Respondemos que não chegava a 500€.

- Por semana?!, pergunta ela.
- Por mês...
- REALLY?!!!! E o custo de vida?
- É mais ou menos o mesmo que aqui. As casas são ligeiramente mais caras (em relação a Lisboa), mas de resto, não foge muito daqui. Há coisas que cá até são mais baratas.
- REALLY??????????????????? Isso não é sustentável!

Reacção da irlandesa
Esta é a reacção típica sempre que um irlandês fica a saber o valor do ordenado mínimo português. O que não é de estranhar, tendo em conta que, por cá, é cerca de três vezes mais.
Estranho é quando vem algum político português, alemão ou vindo sabe-se lá de onde, a querer comparar o caso Irlandês com o Português, o que não é, de todo, comparável - basta falar no ordenado mínimo, nos impostos baixos para as empresas e nas medidas de apoio à natalidade de cá para arrumar com o assunto.

segunda-feira, junho 23, 2014

Esta ainda não me tinha acontecido

Eu não tenho o hábito de andar a dizer aos quatro ventos que não como carne (e que a tendência é comer cada vez menos peixe). Tampouco tento convencer quem quer que seja a deixar de comer carne - a decisão foi minha, a panca é minha, a causa é minha, não peço a ninguém que me entenda, apenas que me respeite. Mas quando, por exemplo, sou convidada a ir almoçar ou jantar a casa de alguém que não sabe deste meu pequeno pormenor, é algo que convém referir. Como tal, já estou habituada às mais variadas perguntas, desde "mas porquê?", "como é que consegues?", "gosto muito de animais, mas um belo bife eu não consigo dispensar", e a mais comum de todas "onde vais buscar as proteínas?".

Mas no sábado aconteceu algo totalmente inédito.
Estávamos nós em casa de uns amigos, quando um deles comenta que tinha descoberto uma peixaria com alguma variedade de peixe (coisa que não é muito habitual por cá). E, para confirmar, vira-se para a mulher e pergunta: "Querida, que peixe é que há naquela peixaria que nós vimos hoje? É que ela [a apontar para mim], não come carne."

Ao ouvir isto, amigo do amigo - que eu não conhecia -, sem ser preciso dizer rigorosamente nada, olha para mim como se eu fosse completamente chanfrada, com direito a colete de forças e atirada para a solitária de um hospício decrépito.

Reacção do moço, com a pequena diferença de ter sido em câmara lenta

E eu, ao reparar neste olhar quase de pena pela minha insanidade mental profunda e crónica, reforço a sua teoria de "aquela não bate bem da bola" ao responder-lhe na mesma moeda


Foi giro.

Fashionable Mondays

Fashionable Mondays


sexta-feira, junho 20, 2014

A fama que eu tenho...

Sr. Gambuzino comentava com um amigo nosso que tinha acontecido uma coisa muito engraçada no dia anterior. Amigo primeiro pergunta se envolvia serenatas (private joke). Ao ouvir "não" como resposta, pergunta logo de seguida se eu tinha voltado a esbardalhar-me contra alguma coisa.

E pronto. É a fama que eu tenho.


E não, não voltei a sentir os efeitos nefastos da gravidade.

Dos saldos


Mas de onde é que vem tanta roupa? Lojas que até à época de saldos são conhecidas por terem colecções não muito grandes mas que, chegadas a esta época, inundam-se de peças e pecinhas que eu nunca vi antes.
Eu juro que acredito que vão buscar colecções passadas (assim, bem passadas, como de 1958). E por mim, tudo bem, que eu não sou daquelas moças que só usa, e só pode usar, e só tem é de usar o que faz parte das colecções actuais. E até gosto bastante de roupa vintage (tenho um fascínio brutal pelo estilo Filipa Gomes, da 24 Kitchen).

Mas podiam pelo menos deixar de fora tudo aquilo que já estiver com borbotos e/ou com a cor desbotada, faxavô.

quinta-feira, junho 19, 2014

Atirar a batata quente...

Telefona-se para as finanças em Portugal e estes mandam-me para a embaixada Portuguesa, aqui em Dublin. Chegada à embaixada, dizem que as finanças em Portugal é que têm de resolver o assunto.

Por causa de um papel. Um. Papel.

No entanto, tenho a dizer que na embaixada foram super prestáveis e simpáticos. Mostraram logo disponibilidade e vontade em ajudar, mesmo não sendo um assunto das suas competências mas sim, realmente, das finanças de Portugal. Menos mal.

quarta-feira, junho 18, 2014

Está calorzinho, senhores!

Eu sou uma pessoa por natureza um pouco desconfiada. Com outras pessoas, sou um pouco reservada, especialmente se acabei de conhecê-las. Nunca tomo nada como certo ou garantido e questiono tudo. Eu sei que por um lado pode ser irritante para muita gente - às vezes parece que estou a pôr a palavra dos outros em questão - mas na verdade só sou eu a tentar perceber os "porquês" e os "comos". E, sigo a máxima de que "quando a esmola é muita, o pobre desconfia". Sou uma céptica, portanto.
Isto para dizer que ando algo desconfiada com este tempo por terras da Guiness. A coisa anda tão agradável que durante o dia, tenho andado a sair de casa de t-shirt e só com um casaquinho fino, deixando o blusão em casa. Já fui comprar uma t-shirt e uma camisa de manga curta porque conseguia contar com os dedos de uma mão a quantidade de roupa mais fresca que tinha por cá - no ano passado, por esta altura, lembro-me perfeitamente conseguir sair de casa sem blusão, mas sempre com uma camisola mais aconchegante vestida.

Mas nos últimos dias, o tempo tem estado bonzinho. Bom de mais para esta ilha. Céu azul. Sol. Uns loucos 24º de temperatura ambiente - acreditem que se sente mais 24º cá do que 30º em Portugal.
Cá para mim o apocalipse deve estar prestes a arrebentar, com direito a chuva de meteoritos e terramotos, crateras gigantes a aparecerem do nada pelas ruas, engolindo tudo que esteja a seu redor e sem esquecer as ondas gigantes. E eu que andei este tempo todo a gozar com aqueles lunáticos que criam bunkers e açambarcam tudo e mais alguma coisa para os tempos apocalípticos.

E em vez de seguir o exemplo desses senhores e senhoras, o que é que eu faço?
Vou comer gelados e aproveitar o sol! Pois claro está.

terça-feira, junho 17, 2014

Papéis, complicações e muita paciência



À medida que vou conhecendo outras países, cidades e culturas, vou intensificando cada vez mais uma teoria minha: Portugal tem todas as capacidades para ser um grande país. Apesar de pequeno, tem as mais variadas paisagens, tem uma cozinha rica e maravilhosa, tem uma história também ela rica. A nível tecnológico, damos quinze-a-zero a muitos outros países, nomeadamente à Irlanda. A nível científico, cultural e artístico, também temos mãos cheias de gente boa, capaz e extremamente profissional. E, não há dúvida, somos desenrascados como mais ninguém consegue ser e isso, meus amigos, acreditem que é uma mais valia. Mas há uma coisa que nos separa de muitos países - nomeadamente, da Irlanda - que nos faz ficar atrás: burocracia. É demasiado papel, é demasiada complicação, é demasiado obstáculo que não nos deixa, apesar de termos gente tão ou mais competentes que todos os outros, ficar atrás. 

Na semana passada tive de tratar de um assunto e, para tal, primeiro tive de ir a uma repartição pública, aqui em Dublin. Quando cheguei, fui primeiro atendida por um senhor que viu se os papéis que eu trazia - uma prova de morada e fotocópia da minha identificação - estavam correctos para depois dar-me um formulário para eu preencher e a senha de vez de atendimento. Quando fui chamada, cerca de vinte minutos depois, entreguei o tal formulário a um outro senhor que me tirou uma fotografia, e disse que em cinco dias o que eu precisava estaria em casa.
Dito e feito. Simples, rápido e eficiente.

Por cá não há metade de processos e atendimentos informatizados como há em Portugal mas, vá-se lá saber como, as coisas funcionam e funcionam de forma incrivelmente rápida. É tudo escrito à mão, há uma data de pessoas a fazerem "mini-funções" o que faz com que, sempre que haja uma dúvida (ou tarefa) haja igualmente alguém que consiga dar a resposta de forma clara e sucinta. E, claro está que isto tem a vantagem de dar muito mais empregos que ter uma data de computadores a fazerem tudo pelas pessoas. 
Portanto, voltando ao início, tratada a parte irlandesa, tenta-se tratar da parte lusa com mais uma chamada a uma repartição pública portuguesa - porque, apesar de já termos dito há umas semanas atrás que vivíamos na Irlanda, mandaram os documentos que precisávamos traduzidos em francês - para fazer uma simples questão. A pessoa do outro lado fala, fala, fala e não diz nada a não ser repetir em tom de pergunta aquilo que se tinha acabado de dizer, e que era preciso arranjar um documento (qual, ao certo, não soube dizer). O melhor mesmo, diz a pessoa no fim que apesar de muito paleio não adiantou nada, é ir à embaixada.
Epah, a sério. Muito obrigada pela ajudinha. Escusava era de ter pago roaming.

Que temos coisas maravilhosas, temos. Que somos um povo capaz, somos. Mas que também somos complicados comó caraças, somos.

segunda-feira, junho 16, 2014

Banhos à bela moda antiga


O nosso chuveiro, que é eléctrico, decidiu deixar de funcionar. Se isto já não for mau suficiente, juntem o facto de se ter avariado enquanto passamos a tarde e noite inteiras na casa de um amigo que tem quintal a festejar o Santo António com uma sardinhada (e chocos para quem, como eu, não vai à bola com sardinhas nem pintadas a ouro) e a única coisa que nos passa pela cabeça, na altura em que vamos a entrar em casa é "bolas, agora um belo banho para tirar o cheiro a sardinhas que está entranhado em todos os poros e mais algum é que vai saber mesmo bem".
E bidé, nesta terra, é o equivalente a extraterrestres: posso acreditar que existem, mas nunca vi um ao vivo e a cores.
Portanto, enquanto o chuveiro não for reparado, só vai dando para fazer chap-chapzinhos com a ajuda de um alguidarzinho onde estavam, até à altura, as batatas, alhos e as cebolas.

Bonito.

Fashionable Mondays

Fashionable Mondays

sexta-feira, junho 13, 2014

Aquele momento...

Quando chegas à porta de casa e, ao mesmo tempo que levas as chaves à fechadura de casa, olhas para os lados. Não há nada de diferente, tudo igual. Mas há qualquer coisa... qualquer coisinha que não bate certo. E, a poucos milímetros de enfiares a chave na fechadura, olhas para cima, vês o número da porta e chegas à rápida conclusão que estás... no piso errado.

quinta-feira, junho 12, 2014

Pode vir tudo cá para casa. A sério. Eu não me importo.

Eu continuo a achar que podia ser patrocinada pela Mango. Acredito mesmo que seria uma parceria muito feliz. Mas ninguém me liga...










quarta-feira, junho 11, 2014

Dicas para quem pensa visitar Dublin #1


Para quem olha para a janela e vê sol e o céu com poucas ou mesmo sem nuvens, que não se deixe enganar. Salvo raras excepções em que conseguimos ter dias inteiros sem uma única nuvem, o mais provavel é que passados 10 minutos esteja a chover - por muito sol que numa determinada altura possa estar! Para quem não se importa de andar com o chapéu-de-chuva sempre atrás, essa é uma das opções - apesar de Dublin ser uma cidade algo ventosa e um autêntico cemitério de chapéus-de-chuva. Eu, confesso, como faço parte do grupo que faz um frete brutal em ter que andar com essa traquitana sempre atrás, acabo por depositar toda a minha confiança no meu casaco impermeável - o que nem sempre é o suficiente.

terça-feira, junho 10, 2014

Trading Places

Há umas semanas atrás, Sr. Gambuzino foi convidado para ser entrevistado para um site irlandês de tecnologias. A entrevista é a propósito de uma rubrica sobre casos de sucesso de imigrantes aqui na Irlanda. E é com grande orgulho que partilho aqui a entrevista do hubby.
Parabéns babe 

Digno de levar uma estalada do Camões

Após anos e anos a gozar com Jean Pierres desse Portugal por não conseguirem elaborar uma frase completa sem darem a entender que são portugueses muito franceses, dou por mim a falar via chat com uma amiga (também ela portuguesa emigrante) e a escrever em inglês devido a um pequeno pormenor gramatical e, como tal, ter ficado na dúvida sobre qual a maneira mais correcta de se escrever em português.
Camões a esta hora dá voltas na sua tumba.

segunda-feira, junho 09, 2014