terça-feira, junho 17, 2014

Papéis, complicações e muita paciência



À medida que vou conhecendo outras países, cidades e culturas, vou intensificando cada vez mais uma teoria minha: Portugal tem todas as capacidades para ser um grande país. Apesar de pequeno, tem as mais variadas paisagens, tem uma cozinha rica e maravilhosa, tem uma história também ela rica. A nível tecnológico, damos quinze-a-zero a muitos outros países, nomeadamente à Irlanda. A nível científico, cultural e artístico, também temos mãos cheias de gente boa, capaz e extremamente profissional. E, não há dúvida, somos desenrascados como mais ninguém consegue ser e isso, meus amigos, acreditem que é uma mais valia. Mas há uma coisa que nos separa de muitos países - nomeadamente, da Irlanda - que nos faz ficar atrás: burocracia. É demasiado papel, é demasiada complicação, é demasiado obstáculo que não nos deixa, apesar de termos gente tão ou mais competentes que todos os outros, ficar atrás. 

Na semana passada tive de tratar de um assunto e, para tal, primeiro tive de ir a uma repartição pública, aqui em Dublin. Quando cheguei, fui primeiro atendida por um senhor que viu se os papéis que eu trazia - uma prova de morada e fotocópia da minha identificação - estavam correctos para depois dar-me um formulário para eu preencher e a senha de vez de atendimento. Quando fui chamada, cerca de vinte minutos depois, entreguei o tal formulário a um outro senhor que me tirou uma fotografia, e disse que em cinco dias o que eu precisava estaria em casa.
Dito e feito. Simples, rápido e eficiente.

Por cá não há metade de processos e atendimentos informatizados como há em Portugal mas, vá-se lá saber como, as coisas funcionam e funcionam de forma incrivelmente rápida. É tudo escrito à mão, há uma data de pessoas a fazerem "mini-funções" o que faz com que, sempre que haja uma dúvida (ou tarefa) haja igualmente alguém que consiga dar a resposta de forma clara e sucinta. E, claro está que isto tem a vantagem de dar muito mais empregos que ter uma data de computadores a fazerem tudo pelas pessoas. 
Portanto, voltando ao início, tratada a parte irlandesa, tenta-se tratar da parte lusa com mais uma chamada a uma repartição pública portuguesa - porque, apesar de já termos dito há umas semanas atrás que vivíamos na Irlanda, mandaram os documentos que precisávamos traduzidos em francês - para fazer uma simples questão. A pessoa do outro lado fala, fala, fala e não diz nada a não ser repetir em tom de pergunta aquilo que se tinha acabado de dizer, e que era preciso arranjar um documento (qual, ao certo, não soube dizer). O melhor mesmo, diz a pessoa no fim que apesar de muito paleio não adiantou nada, é ir à embaixada.
Epah, a sério. Muito obrigada pela ajudinha. Escusava era de ter pago roaming.

Que temos coisas maravilhosas, temos. Que somos um povo capaz, somos. Mas que também somos complicados comó caraças, somos.

7 comentários:

  1. Tenho de concordar contigo, gostam muito de complicar, lá isso é verdade :S

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  2. Somos muito burocratas, complicados e pouco eficientes, na maioria dos casos.

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  3. Isso não é complicação, é incompetência.

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  4. Papeis e complicações é connosco!

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  5. Complicados é pouco! Somos mesmo muitoooo complicados! Mas enfim, tenho esperança que possamos aprender com exemplos como este que falas aqui! :)
    Um beijinho*

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  6. Se juntares À "burocracia" a incompetência...tens um rico caldinho!

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Gambuzinem