quinta-feira, julho 10, 2014

Dúvidas, imagens e causas existenciais


Há uns dias atrás li num fórum o caso de uma rapariga que queria muito ser vista como vegetariana e pertencer aos círculos vegetarianos. O problema: ainda comia peixe e, como tal, era vista como pescatariana, o que não é uma imagem tão moderna e gira de se passar aos outros.
A coisa deixou-me a pensar: é assim tão importante a forma como uma pessoa como é vista, a imagem que passa para os outros e se é aceite pelo quer que seja? Pelos visto, sim...
Confesso que nunca me preocupei muito se era vista como vegetariana ou pescatariana ou outra coisa qualquer. Deixei de comer carne por motivos éticos e ainda vou comendo algum peixe por motivos, chamemos-lhes logísticos. Se eu por vezes digo que sou vegetariana, é porque não me apetece entrar em grandes conversas e explicações. Em momento algum do processo, fui movida pela imagem que poderia passar - porque ser omnívora é muito demodé, o que é fixe é ser vegetariana, ou vegan, ou comer raios solares! - mas sim por uma causa pessoal ética.

Isto faz-me lembrar aqueles que vão para medicina, ou outro curso qualquer, só porque querem ser vistos como os senhores doutores, senhores engenheiros ou senhores arquitectos, quando na verdade a sua verdadeira vocação é serem padeiros. Ou aquelas ratas de sacristia que não largam as saias do senhor padre, como tal, do rótulo não se livram, que é o que querem, mas fora do perímetro religioso são umas autênticas bestas desumanas e praticar o bem está lá quieto.
Ok, agora dizem vocês que cada um é livre de decidir o que quer e bem apetece e o porquê. E eu concordo. Mas também acredito que se todos nós nos deixássemos um pouco de preocupações irrelevantes, secundárias e fúteis como "aquilo que os outros vão pensar de/ ver em mim" e nos focássemos nem que fosse apenas um pouco menos na imagem que os outros poderão ter de nós, em ser aceites só para dizermos que pertencemos a isto ou aquilo sem qualquer motivação para além disso mesmo, acredito que as pessoas iriam sentir-se mais livres, mais felizes*.

*Karina sem acento, a ingénua rebelde a acreditar em unicórnios desde 1985

5 comentários:

  1. Quem vive uma vida inteira a querer pertencer a um grupo ou a querer ser vista como isto ou aquilo, é porque não joga com o baralho todo. É uma perda de tempo.
    O que interessa é nós sentir-mo-nos bem com as opções que tomamos, e nunca a pensar o que as outras pessoas pensam de nós. Mas se calhar é porque eu também sou uma ingénua rebelde que acredita em unicórnios, no pai natal e nos 7 anões ;)

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  2. Infelizmente nesa sociedade, ainda há muita gente que se preocupa como os outros os vêm... uma valente estupidez portanto!

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  3. O culto das aparências chega a ser ridículo e uma total falta de personalidade!

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  4. Realmente isso é muito estúpido. As pessoas prendem-se demais ao que os outros pensam, aos estereótipos existentes e querem pertencer a um determinado grupo ou elite. Enquanto perdem tempo com isso, não são felizes porque não são o que sentem.

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  5. Adoro ler os teus textos... :P
    Realmente há pessoas que se interessam mais pelas aparências...

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Gambuzinem