sexta-feira, janeiro 09, 2015

Carta aberta ao querido (e a quem quiser ler)

A propósito do post do "querido", não consigo de deixar de escrever umas linhas sobre isto:

Qualquer regime de censura que já tenha acabado, acabou por haver quem tenha tido a coragem de falar. Desde a santa inquisição onde várias pessoas foram queimadas vivas por defender teorias científicas e expondo erros teológicos (e não só), ao próprio regime do estado novo onde tantos foram presos por defender ideias políticas diferentes. E já Gil Vicente dizia que era a rir que se criticavam os costumes. Liberdade de expressão é o que nos permite hoje estar aqui, no blog, no facebook, na rua, onde quer que seja a debater ideias diferentes. A não concordar com a ideia de Gustavo sobre toda esta polémica mas a apenas porque ele tem o direito de expôr o que acha - apesar de eu achar ridícula a ideia que eu e todos nós temos de nos calar para não ferir susceptibilidades religiosas alheias, só porque outros têm uma mente pequena incapaz de aceitar algo diferente - e eu dizer que acho a ideia dele ridícula não constitui, aos olhos da lei, desrespeito, enquanto que se eu dissesse que o achava, a ele como pessoa, ridículo, aí sim, seria uma forma de desrespeito e poderia ser processada como tal. Querem ver a diferença entre falta de respeito e liberdade de expressão, é ler durante dois minutos qualquer secção online de comentários de qualquer jornal português: os insultos directos às pessoas, quando alguém diz que o outro comentador é um idiota, um filho daquela senhora e muito mais, são falta de respeito, enquanto que quando alguém diz que o outro tem uma opinião errada, estúpida, idiota e o quer que seja, sem criticar directamente a pessoa que está a fazer esse comentário, assume-se apenas como liberdade de expressão. Lá está, eu própria conheço a história da cultura de onde venho, onde felizmente onde houve muita gente a não se calar de modo que as coisas, as mentalidades, os costumes mudassem. Resumidamente, achincalhar, ridicularizar, gozar com as ideias (repito, ideias) não constitui crime, caso contrário voltaríamos à idade da outra senhora em que expôr ideias diferentes seria considerado heresia e crime. E, mesmo que alguém se sinta insultado - porque a liberdade e os limites de cada um difere de pessoa para pessoa - há sempre o chamado "processo por difamação", tratado em tribunais. Por outro lado, matar é crime.

Eu não me calo. Je suis Charlie.

5 comentários:

  1. Identifico-me mesmo com o que escreveste!
    Um beijinho*

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  2. Estive agora a ler o texto do querido e da sua maneira de pensar. Confesso que acho a sua linha de pensamento um tanto ou quanto confusa. Agora não se pode brincar com nada porque podemos "melindrar" alguém? E matar pessoas por terem pensamentos diferentes é de alguma forma compreensível? Eu direi que o querido apenas procurou protagonismo e visibilidade, porque como tu dizes, quando nos sentimos difamados, existam tribunais para resolver essas questões, e pegar em armas em nome de uma religião, não é, nunca foi e nunca será a solução.
    #jesuischarlie

    http://instagram.com/annabelle_madeira/

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  3. li o texto, e já pensei e já disse o que tinha a dizer, e concordo com tudo. só queria sublinhar: "filha da senhora" - GOSTEI!

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  4. Sobre o post dele, do blog e do facebook: foi um valente tiro no pé. Aliás, um tiro em cada pé!

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  5. Não te cales, aqui a je gosta de te ler :D

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Gambuzinem