quinta-feira, março 12, 2015

Uma moeda para mim, duas para ti

Estive a ler a crónica de Maria João Marques sobre a diferença salarial entre homens e mulher - eu sei, já quebrei com a minha promessa de não voltar ler mais notícias e afins, mas é mais forte que eu.
Basicamente, nesta crónica são expostas várias desculpas usadas por várias pessoas do porquê das mulheres receberem menos que os homens.

E, antes que eu continue a falar disto, convém referir que eu não me considero como feminista, porque acho o termo tão mau como o de "machista". Muitas, por exemplo, marcham porque não querem ser julgadas consoante a roupa que usam mas foram as primeiras a condenar um cientista por este ter usado uma camisa com desenhos de pin-ups, quando na verdade essa camisa tinha sido oferecido por uma amiga, rapariga, fêmea, com vagina. Grande moral! Não querendo soar demasiado poética ou filosófica, considero-me mais como sendo humanista: temos as nossas diferenças mas, como seres humanos, somos iguais e merecemos os mesmos direitos e deveres.

Voltando ao assunto sobre as diferenças salariais: para comprovar que isto não é mania da perseguição por parte das mulheres, bastou no fim ler certos comentários de leitores.
Houve dois em especial que achei, no mínimo, interessantes. Num, alguém disse que não achava justo que uma mulher ganhasse o mesmo que o homem quando as mulheres tiram baixa para estarem com os bebés enquanto que o homem fica o ano todo a trabalhar.
O outro comentário baseava-se facto de acharem um insulto falar-se de discriminação quando temos casos de verdadeira discriminação sexual vindos de outros países, nomeadamente africanos e árabes, para comparar.

O primeiro comentário fez-me ficar na dúvida em que século vivemos. Uma mulher tem a lata de engravidar, vai para casa parir e fica lá uns meses a cuidar do bebézinho e ainda espera ganhar o mesmo que homem macho?! Vai masé catar piolhos!
Mas então, expliquem-me como é que pensam que as gerações são renovadas?! Não tendo filhos?! E, para quem não vê o problema das gerações não serem renovadas, eu passo a explicar: é preciso haver sempre um número mínimo de pessoas em fase profissional activa para que haja sempre circulação de dinheiro de forma a nunca faltar desde reformas, a subsídios de desemprego, a subsídios de doença, etc. Basta dizer que nos países nórdicos, para além de haver mais filhos por casal, em média, e da mãe ter uma licença de maternidade que em certos casos pode chegar aos dois anos, são os países mais estáveis, com mais dinheiro, com mais direitos e cuja crise não foi tão sentida.
E porque é que as mulheres não têm os filhos e não vão logo trabalhar? Porque estamos a falar de bebés, de pequenas criaturas que precisam de ser amamentadas e precisam de ser acarinhadas e tratadas pelos pais, especialmente nos primeiros meses de vida, não por estranhos - tendo em conta que o pai (ainda) não produz leite, faz mais sentido a mãe ficar em casa.

Sobre o facto de considerarem um insulto quando mulheres ocidentais se queixam de discriminação quando nas arábias é que elas são tratadas que nem cães: uma coisa não invalida a outra. Por muito solidária que possa ser - que sou - por todas as mulheres que ainda vivem em situações deploráveis nesses países, isso não faz com que nós, mulheres ocidentais, já não tenhamos percorrido um longo caminho, desde lutarmos pelo direito ao voto a que a violência doméstica fosse realmente considerada como crime. E, se eu tenho exactamente as mesmas qualificações, se trabalho as mesmas horas, se faço exactamente o mesmo trabalho e tão bem como o do meu colega homem, e se estou numa empresa há tanto tempo quanto eles, porque é que o valor por hora é inferior para as mulheres?

Basicamente, isto para dizer que socialmente temos, mulheres e homens, papéis diferentes mas que são igualmente importantes, fundamentais mesmo. Precisamos uns dos outros, essa é que é essa. Mas, se a mulher faz o mesmo trabalho e da mesma maneira que um homem, deverá ser descriminada à partida só porque tem a capacidade de engravidar?

2 comentários:

  1. É sem dúvida um assunto que nos faz pensar.

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  2. Este é um daqueles assuntos que me tira do sério e comentários como os que referiste (e que tanta vez já encontrei também) são de me dar a volta ao estômago e só comprava o carácter machista que essas pessoas que os fizeram têm. Quanto ao que dizes da palavra «feminismo» e o mau uso da mesma, eu considero-me feminista acima de tudo pelo conceito que esta palavra passa: a luta pela igualdade de género! E apesar de poder ser uma palavra «feia» por ser tão semelhante ao termo «machista» vou continuar a usá-la porque pessoas que fazem mau uso do termo vão haver sempre mesmo em relação a outras palavras e não só ao feminismo e deixar de me assumir como «feminista» por causa do mau uso que as pessoas fazem da palavra era o mesmo que eu chamar-me Ana e deixar de fazer uso do meu nome porque uma outra Ana era má pessoa e fazia com que as pessoas associassem o nome «Ana» a coisas más :)

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Gambuzinem