sexta-feira, dezembro 04, 2015

Estar longe de casa, da família, do país é, pelo menos para mim, sentir saudades todos os dias. Apesar de não ser daquelas pessoas fundamentalistas que acha que só em Portugal é que há coisas boas (sim, Portugal tem coisas maravilhosas mas não é detentor absoluto de tudo o que é bom e maravilhoso; e sim, há quem critique por tudo e por nada os países que os acolhem e que dão oportunidades que Portugal não consegue oferecer), a verdade é que tenho saudades. Das coisas pequenas, como aquele pastel de nata com um bom café expresso, a vista do mar do comboio a caminho de Lisboa, o sol, etc, etc, e das coisas realmente importantes. A família. Os amigos. O não ter um mar a separar, e um ecrãn, skype, e telefone a fazer a ponte desse mar.
Contudo, uma pessoa vai aprendendo a gerir essas saudades. Elas, no meu caso, não vão regredindo mas que remédio tive eu de aprender a viver com elas como se de uma sombra se tratasse.
Mas depois há aquelas notícias que, para além de nos fazerem lembrar da nossa insignificância nesta terra e que isto tudo não passa de uma simples e breve passagem, nos fazem temer esta distância e que reforçam o meu maior medo.
Ontem à noite faleceu o pai de um amigo nosso. Coisa repentina, pelos vistos ninguém estava à espera. Para além da dor que sentimos pela perda que o nosso amigo enfrenta, que também é português e vive por cá, sentimos, inevitavelmente, a distância como nunca antes. Felizmente que hoje em dia há aviões que viajam daqui para Portugal todos ou praticamente todos os dias, o que ajuda a encurtar um pouquinho de nada essa distância, mas numa situação destas, parece que a distância, qual ela seja, triplica. Assim como triplica, acredito eu, o sentimento de impotência (apesar de saber que, numa circunstância destas, não há nada a fazer).

Hoje, em especial, só queria um abracinho dos meus pais. 

R.I.P, pai do nosso amigo

5 comentários:

  1. Acredito que seja bastante duro... admiro muito a coragem de quem emigra. Um beijinho :)

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  2. É sempre duro estar nessa situação, não há palavras que possam ajudar, só o tempo é que melhora tudo... =/ infelizmente.
    Se eu vivesse fora teria saudades disso tudo...especialmente do sol e daqueles que me são mais próximos.
    ps: Tenho de elogiar a tua leitura do momento! O Haruki Murakami é o meu escritor favorito e já li imensas obras dele. A imaginação do escritor não tem limites...tens de ler o "Kafka à Beira Mar". Para mim é sem dúvida alguma o melhor livro dele. :) Fica a sugestão.
    Beijinhos*

    Comecei a seguir-te ;) Faz também uma visita ao meu blogue e espero que gostes do que tenho publicado por lá..
    http://nuancesbyritadias.blogspot.pt/

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    1. Haruki Murakami também é o meu autor preferido! Apesar de ter gostado muito do kafka a beira mar, o meu livro favorito é Sputnik meu amor. Ao mesmo tempo que estou a ler este do Auto retrato do autor enquanto corredor de fundo, tb estou a ler o "os assaltos à padaria". E tb ja tenho o Wind/Pinball para ler de seguida, que sao as primeiras duas historias que ele escreveu, que nunca foram traduzidas para portugues (confesso que nao sei se entretanto ja ha), mas saiu uma ediçao recentemente em ingles.
      Acho que de resto, so me faltam ler mais duas obras dele. Adoro, adoro, adoro!

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  3. ...é disso que tenho medo, por estar longe. Que aconteca alguma coisa aos meus e eu nao consiga estar cá para ajudar ou apoiar. Nestas alturas queremos estar rapidamente junto dos nossos e no nosso caso torna-se mais dificil.

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Gambuzinem