sexta-feira, abril 08, 2016

Pronto, e mais uma polémica nas redes sociais - e a minha opinião politicamente incorrecta

Joana Vasconcelos diz que levava todas as suas jóias, o seu iphone, material para desenhar e mais uns tarecos na mochila caso fosse refugiada
E meio mundo já veio cair em cima dela - salvo seja - porque, nitidamente, "não deve ter noção da realidade".
Verdade seja dita, eu não tenho noção da realidade que é ser um refugiado e o que é ter de fugir de uma guerra. Imagino o que possa ser mas, felizmente, não sei na pele a dimensão real daquilo que é ser-se um refugiado, afinal de contas, não venho de uma zona de guerra. Nem eu, nem nenhum de nós que nunca passou por tal situação. E, para continuar a ser sincera, só ao viver as situações, quaisquer que sejam, é que uma pessoa passa a saber.
Eu não faço a mínima ideia o que levaria numa mochila, caso fosse comigo. A primeira coisa que me passa na cabeça é comida. Mas sei lá eu, e espero nunca vir a saber.
E quem sou eu para criticar a resposta de Joana Vasconcelos? Iphone? Já vi muitas fotografias de refugiados agarrados aos seus smartphones. Caderno e lápis? Ela é artista, não me espanta isto. Segundo reza a história, os músicos do Titanic tocaram até ao último momento pelo amor à sua arte. Pelas jóias? Quem diz que as suas jóias não têm valor sentimental? Eu ando sempre com um colar ao pescoço da minha avó e uma pulseira no pulso que ela me deu e, apesar de não usar, também andam sempre comigo uns brincos também eles oferecidos pela minha avó, que eram dela e já tinham sido da minha bisavó. Só de pensar em perder estas coisas, de deixá-las para trás, dá-me um aperto no coração. E acho que não estou a ser fútil, simplesmente acabam por ser coisas extremamente valiosas para mim a nível sentimental.

Se à primeira vista a resposta de Joana parece fútil? Sim, até pode parecer. Mas talvez ela punha na sua mochila aquilo que lhe é mais importante. No fundo, só espero que nunca se venha a saber o que é preciso por numa mochila para se fugir de uma guerra.

8 comentários:

  1. Concordo contigo. Também não entendo o porquê de tanta polémica. Ela lá saberá os seus motivos...eu, se calhar também levava o telemóvel...e as jóias são fáceis de vender e trocar por comida. Para ela, desenhar pode ser tão importante como respirar! Ai...as pessoas gostam tanto de gerar polémicas por tudo e por nada. Polémica sim é o ministro da cultura ter dito o que disse.

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  2. Esta vida (este Mundo) está cheia de gente que fala só porque falar é a única coisa que lhes resta fazer para não dizerem que estão sem fazer nada!
    Dou pouco crédito a polémicas... Menos ainda se forem deste estilo.

    Querida Joana, se me estiveres a ler, leva o que bem te apetecer na mochila. Ao fim e ao cabo se fores mesmo uma refugiada a fugir da guerra, em alguma ocasião vais acabar por ficar sem tudo.

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  3. Acho que as pessoas andam sempre a procura de um Cordeiro para sacrificar... perde-se tempo com tanta mesquinharia, e num tempo de valores toda a gente se acha o maior a criticar os valores e a moral dos outros quando não os tem...

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  4. Se não houver polémicas pelas redes socais fora de vez em quando, as pessoas aborrecem-se. E então arranjam do que falar. É coisa que me passa ao lado e que nem sequer me interessa saber. Deixem lá a senhora...

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  5. nem mais! clienteperfeito.blogs.sapo.pt

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  6. Vocês não sabem o que é ser refugiado, nem o que são BENS DE PRIMEIRA NECESSIDADE. Já agora vejam este vídeo que está muito bom e que talvez vos elucide do quão ridiculo é este post.

    http://media.rtp.pt/donosdistotudo/videos/o-que-levava-joana-vasconcelos-se-fosse-refugiada/

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    1. É verdade que não sei o que é ser refugiada, felizmente. Mas sei o que são bens de primeira necessidade. Assim como sei ser uma pessoa que não gosta de julgar os outros nem de os chamar ridiculos quando não os conheço de lado nenhum - chama-se ter educação. Continuo a dizer que por um lado a senhora pode ter pareciso futil com a sua resposta, mas provavelmente terá as suas razões para escolher o que escolheu. Eu não sou ninguém para julgar a sua resposta.
      Mais, conheço quem teve de fugir de uma guerra, quem deixou para trás com pouco mais que a roupa que trazia no corpo. Pessoas próximas. Não sei o que é ser refugiada mas não sou totalmente ignorante acerca do que é deixar pra trás. Antes de chamar os outros de ridiculos ou do quer que seja, pense antes que nao as conhece de lado nenhum.

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  7. As pessoas gostam de criticar para se sentirem melhores como seres humanos. Mas não o são, se já correm a crucificar.

    Se fossem um pouco mais esclarecidas iriam perceber que um refugiado não tem necessariamente de ser pobre. Não recordo agora as circunstâncias mas li faz algum tempo uma reportagem sobre uns refugiados durante a 2ª GG que vieram para Portugal. Contaram eles que foram muito bem recebidos pelos portugueses, que os acolheram oferecendo de tudo: comida, sapatos... E eles se enterneceram porque, muitas dessas pessoas não tinham tanto assim e melhor: não tinham na mesma qualidade que eles. Eles fugiam de uma guerra sim, mas trajavam melhores roupas e nas bagagens traziam diamantes e muito dinheiro. Claro que o povo de cá só se apercebeu da necessidade de fugir de uma morte quase certa.

    Por vezes lamento que a instrução tenha chegado a tantos depois do 25 de Abril. alguns deviam ter permanecido "ignorantes" para assim saberem agir com a sabedoria do povo de então.

    No panorama actual alguns não devem ser muito pobres. Até porque fazer a travessia custa muito dinheiro. Eles sabem - como todos deviamos saber, que é preciso dinheiro para pagar aos corruptos e para conseguir favores. Em momentos de crise então, é o que mais se precisa. Ainda assim corre-se o risco de se ser agredido, violentado e roubado de tudo: bens materiais e essenciais.

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Gambuzinem