sexta-feira, julho 21, 2017

Adeus, Chester



Um murro no estômago. Forte, daqueles que vêm a grande velocidade. Foi isto que senti quando soube da morte de Chester Bennington.
O que é estranho, à partida. Eu não o conhecia pessoalmente. Não éramos amigos nem familiares. Não partilhei com ele momentos bons nem maus nem quaisquer que fossem. Ele não foi ao meu casamento, eu nunca conheci os filhos dele.
Mas a verdade é que senti e sinto ainda esse murro no estômago. Uma tristeza incrível, como nunca senti com a morte de outra celebridade.
Os Linkin Park marcaram a minha adolescência, os anos de faculdade, o início de vida como adulta. Juntamente com os Placebo, eram - e continuam a ser - das minhas bandas preferidas. Para onde fosse, eles vinham atrás. No carro, no ipod, no telemóvel, no trabalho... Vi-os três vezes ao vivo - mais uma vez, juntamente com os Placebo, a banda que mais vezes vi ao vivo - e passava o tempo todo a dizer que sempre que pudesse, iria aos concertos deles. Saber que nunca mais os vou ver ao vivo, pelo menos com o Chester presente, deixa aquele sabor meio amargo, meio metálico na boca. 
Ele não era meu amigo, nem familiar, nem sequer conhecido. Mas era das pessoas mais presentes na minha vida. 


Adeus Chester

sexta-feira, junho 02, 2017

quarta-feira, maio 10, 2017

Com Gambuzinos destes...

Começa a dar uma música da Gloria Estefan, dos jogos olímpicos, creio eu de Atlanta. E eu começo a cantar com toda a alma e muito pouca voz que tenho. Sr. Gambuzino ri-se. Ou melhor, dá aquele sorriso de troça. Nisto, páro com a minha cantoria e digo "o que queres? Esta música é bonita".
Responde-me ele "ouve-se!"
"Não, não se 'ouve'! É bonita! É dos jogos olímpicos, e os jogos olímpicos fazem-me lembrar o verão e calor. Tudo o que faz lembrar calor, é bonito!", digo eu.
"Sim.", diz ele, "um aquecedor..."


terça-feira, maio 09, 2017

Coisas lamechas minhas

À parte toda polémica à volta da escolha desta canção - que eu até a acho bonitinha e não me lembro de haver tanto sururu com os homens da luta - é um orgulho ouvir português num festival em que todos cantam em inglês.

Coisas minhas, de emigrante.

O meu lado mais irlandês

Dois minutos de sol na cara e é o suficiente para ficar vermelha e com comichões. O equivalente, portanto, a uma lagosta com borbulhas.

sexta-feira, maio 05, 2017

Dos vizinhos hipócritas

Sim, reconheço que estavamos a fazer barulho e já passava das onze da noite. Foi à hora que o meu primo conseguiu chegar e, muito rapidamente, montar a cama que eu tinha pedido para ele transportar na carrinha. Tanto que quando ouvi alguém a porta eu comentei "pois, estamos a fazer barulho e vêm chamar-nos à atenção..."

Só não estava à espera que fosse a minha vizinha do lado que viesse reclamar. Aquela que tem por hábito falar alto e a bom som às tantas da noite. Aquela que me chamou de maluca quando eu dei duas palmadas na parede porque já era meia-noite e tal e ela continuava a falar com o namorado, companheiro ou lá quem ele era.
Nem estava à espera que, quando eu chegasse ao corredor da entrada, para além de ver a fronha dela, ouvi-la a relatar isto ao Sr. Gambuzino como te tivesse sido a única vez que tinha feito barulho e eu tinha logo recorrido à bela da pancada na parede.
Nem ela devia estar à espera que o meu feitio escorpiónico se apoderasse de mim e eu ir até à porta para lhe dizer o irónico que era ela estar-se a queixar depois destes anos todos a fazer barulho durante a noite e madrugada ao ponto de eu não conseguir adormecer e de acordar com a vozinha estridente dela. Impossível! Eu tomo medicação para dormir!, diz ela. Pois, pode tomar, mas que é frequente ouvi-la bem tarde, é.
Isso não sou eu, está a confudir com os vizinhos de cima, responde.
Claro, eu nem conheço a voz dela nem sei de onde vem o barulho...
Além do mais, eu também a oiço!! Sim, sim, a si!
Ai sim? Quando? Pergunto eu.
Com os seus saltos altos!!!

E aqui, meus amigos, esta coisa descamba. É que eu não uso saltos altos. Sabrinas, sandálias rasas, ténis, sapatos rasos e com sola de borracha porque, vejam lá a ironia das ironias, eu não gosto do "toc toc toc" dos sapatos no chão.


Giro, digo eu, eu não uso saltos.
Das, das, das suas amigas!

Por acaso, grande parte das minhas amigas também não usa saltos. Para além de que mesmo que usem, eu não posso controlar esta questão. E para ser sincera, por acaso nem me lembro da última vez que alguma amiga tenha entrado cá em casa. Mesmo que alguém venha cá ter, eu saio de casa e vamos directamente ao café.
Mais, isto aborreceu-me à brava porque eu não sei quem entra nem quem sai do prédio (nem quero saber) quanto mais da casa dos outros. Agradeço a mesma gentileza para comigo.

Pois bem que eu digo que as minhas amigas nem têm vindo cá a casa. Mas que eu a oiço falar ao telefone bem tarde - já cheguei a ouvi-la bem de madrugada.

E é aqui que ela começa a berrar a dizer que eu sou louca.

Pois, eu sou louca - digo eu - boa noite e com licença!
Estou eu a fechar a porta, começa a berrar aos altos berros a chamar-me de louca e mal educada.

Volto a abrir a porta e digo o mais calmamente que consigo que aqui a louca e a mal educada não sou eu. Para a próxima que eu fizer barulho, que chame a polícia que eu farei o mesmo quando for ela. Boa noite.


Dasss!

quarta-feira, abril 05, 2017

A Bela e o Monstro - ou como deixar a criança que há em mim num pranto

Eu sei que isto é bem capaz de ser uma opinião muito pouco partilhada mas...

C'A RAIO DE MERDA FOSTE TU FAZER, EMMA?!
A sério, a sério, conseguiste destruir uma das minhas histórias preferidas enquanto criança! Eu vi a cassete centenas de vezes, eu li o livro outras tantas, eu sabia os diálogos todos e as músicas todas. E fiquei toda contente quando soube que iam fazer esta versão... 
Eu sei que o pessoal curte de ti, vais ser sempre a Hermione masssss não, não me convences como actriz. Eu nem tinha nada contra ti, até achei que darias uma boa Belle com essa cara laroca que tens. Não. Então naquela parte em que pegas no espelho para veres o pai - também ainda estou para perceber como é que o Kevin Kline deixou ser desperdiçado como foi - e começas com aqueles espasmos "ai ui ai", só me apeteceu dar-te uma estalada. Sempre que abrias a boca para dizer alguma coisa, era tudo demasiado forçado, teatral. Até para o género de filme que é.

Salva-se o Gaston e o LeFou. Malta fixe que sabe o que está a fazer. Teatrais, sim, mas de uma forma positiva, não forçada. 
Sim, porque o Monstro também deixou a desejar. Menos mal, estraga só uma casa.


Entretanto vi que o realizador é o mesmo dos últimos dois Twilight e isso explica muita coisa. Sim, não é qualquer um que consegue fazer uma cópia até muito fiel de uns desenhos animados e mesmo assim  torná-la sem piada, forçada, e não aproveitar o orçamento monumental que tinha e investir num bom 3D para o Monstro - os lobos do twilight all over again.

Eu sei, o pessoal tem curtido do filme. Respect. Mas a versão original continua a ser infinitamente melhor.

quinta-feira, março 30, 2017

Sabes que estás nos 30's quando...

Ficas toda entusiasmada por comprar uma tábula de passar a ferro supostamente toda xpto...
E nem sequer gostas de passar a ferro.

sexta-feira, março 10, 2017

Aquele momento...

Em que não sabes se te dizem "ok, tens razão" porque tens mesmo razão ou se é só para te calar...


terça-feira, fevereiro 28, 2017

Coisas que só a mim me acontecem

Conseguir derramar um boião inteiro de cera quente para cima da bancada - e umas pingas para o chão.

Queimei um nadinha do meu polegar, fiquei sem cera, tirar aquilo tudo da bancada deu uma trabalheira desgraçada e os bigodes por cá continuam...

quinta-feira, fevereiro 02, 2017

A história da minha vida: filas de espera

Tiro a senha e vejo que tenho dois quatriliões de pessoas à minha frente. Tudo bem, há que ter paciência e esperar, é mesmo assim. Além do mais, as caixas estão todas abertas e a funcionar, não há-de ser muito mau.
Pois não, isto até está a andar bem. Há gente a desistir e a ir embora...
Passadas duas horas e quarenta e três minutos parada no mesmo sítio: olha que bom, já só tenho 6 pessoas à minha frente.
Boa, boa, boa, já só faltam duas, num minuto sou chamada.
Sou a seguir!
Bolas... isto parou... ficou empacado!
Credo... sempre assim... s-e-m-p-r-e!
Estou a criar raízes aqui....

Ahhh finalmente! Sou eu!

*Vozinha vindo do fundo*

Olhe, desculpe, deixei passar a minha vez, sabe, havia tanta gente há minha frente e eu aproveitei para ir a casa fazer o almoço, e um pouco de jardinagem, e umas comprinhas... mas ainda estou dentro da tolerância que dão...

Eu:

terça-feira, janeiro 31, 2017

Naftalina, chocolates e televisão

Quando era criança, costumava ir com a minha mãe visitar uma tia sua. A tia M.
A tia M. tinha uma vivenda - claro que batizei aquelas escadas que ligavam o rés-do-chão ao primeiro andar com um belo trambolhão, indo parar lá abaixo às cambalhotas - ao pé da praia. Era velhota, a tia, morena, tinha voz rouca e costumava dar-me uns chocolatinhos - às vezes fora do prazo. E falava muito com a televisão. Discutia, dava conselhos, desabafava com quem estivesse na televisão. 

Sr. Gambuzino faz-me lembrar a tia M. Não cheira a naftalina, mas fala muito com a televisão. "Não, não faças isso! Oh rapaz, então pá?! Pois, agora estás aflito, não é?! Já te percebi!"
Estamos a ver algum filme ou alguma série, ele num sofá, eu noutro e, lá começa ele naquele rol de comentários. Eu olho o lado, para o sofá onde ele está e, por vezes, em vez dele, vejo a minha tia M. 

Já lhe disse a verdade: Gambuzino! Eles não te ouvem!
Mas encolheu os ombros e continuou a falar para a televisão. Tal e qual a tia M.


sexta-feira, janeiro 27, 2017

Surpresa!!!

Cá estou eu. Outra vez. Depois de mais uma ausência. Eu sei...
Em minha defesa, o ano passado foi um ano cocó. Nada de terrível aconteceu, mas também não foi um ano maravilhoso. Também não foi propriamente neutro. Foi um ano... meh.
E eu sou aquele tipo de pessoa que se fecha em copas. Na verdade, passo grande parte do tempo fechada em copas mas de vez em quando consigo abrir umas frestas. 2016 foi ano para ter tudo fechado a sete chaves e as únicas conversas que tinha, quando tinha, era com a almofada.
Isto aliado ao facto de sempre que pensava "vou escrever isto no blog" deixar passar tanto tempo que as coisas acabavam por perder a sua piada e acabou por dar nisto: uma data de pausas e intervalos...

Mas a saudade acaba por dar sempre ares da sua graça e cá estou eu outra vez.
Sem nada de jeito para dizer.
O normal, portanto.