terça-feira, janeiro 31, 2017

Naftalina, chocolates e televisão

Quando era criança, costumava ir com a minha mãe visitar uma tia sua. A tia M.
A tia M. tinha uma vivenda - claro que batizei aquelas escadas que ligavam o rés-do-chão ao primeiro andar com um belo trambolhão, indo parar lá abaixo às cambalhotas - ao pé da praia. Era velhota, a tia, morena, tinha voz rouca e costumava dar-me uns chocolatinhos - às vezes fora do prazo. E falava muito com a televisão. Discutia, dava conselhos, desabafava com quem estivesse na televisão. 

Sr. Gambuzino faz-me lembrar a tia M. Não cheira a naftalina, mas fala muito com a televisão. "Não, não faças isso! Oh rapaz, então pá?! Pois, agora estás aflito, não é?! Já te percebi!"
Estamos a ver algum filme ou alguma série, ele num sofá, eu noutro e, lá começa ele naquele rol de comentários. Eu olho o lado, para o sofá onde ele está e, por vezes, em vez dele, vejo a minha tia M. 

Já lhe disse a verdade: Gambuzino! Eles não te ouvem!
Mas encolheu os ombros e continuou a falar para a televisão. Tal e qual a tia M.


sexta-feira, janeiro 27, 2017

Surpresa!!!

Cá estou eu. Outra vez. Depois de mais uma ausência. Eu sei...
Em minha defesa, o ano passado foi um ano cocó. Nada de terrível aconteceu, mas também não foi um ano maravilhoso. Também não foi propriamente neutro. Foi um ano... meh.
E eu sou aquele tipo de pessoa que se fecha em copas. Na verdade, passo grande parte do tempo fechada em copas mas de vez em quando consigo abrir umas frestas. 2016 foi ano para ter tudo fechado a sete chaves e as únicas conversas que tinha, quando tinha, era com a almofada.
Isto aliado ao facto de sempre que pensava "vou escrever isto no blog" deixar passar tanto tempo que as coisas acabavam por perder a sua piada e acabou por dar nisto: uma data de pausas e intervalos...

Mas a saudade acaba por dar sempre ares da sua graça e cá estou eu outra vez.
Sem nada de jeito para dizer.
O normal, portanto.